Com pesquisas divergentes e nomes ainda indefinidos, a disputa pelo Palácio Piratini em 2026 promete ser uma das mais acirradas da história recente do RS.
A menos de quatro meses do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, o Rio Grande do Sul ainda não tem um quadro eleitoral consolidado para o governo do estado. As pesquisas publicadas nas últimas semanas mostram um cenário fragmentado, com diferentes institutos apontando resultados distintos, o que reflete tanto a indefinição dos eleitores quanto a dinâmica ainda fluida das articulações partidárias. Para o eleitor gaúcho, a dúvida central é simples: quem tem mais chance de ocupar o Palácio Piratini a partir de 2027?
A resposta varia conforme a metodologia de cada levantamento, mas alguns elementos já aparecem com consistência. A disputa promete se polarizar entre a direita, representada principalmente pelo deputado federal Luciano Zucco (PL), e a esquerda, com Juliana Brizola (PDT) e Edegar Pretto (PT) disputando espaço no mesmo campo. O centro, historicamente forte no RS, aposta no vice-governador Gabriel Souza (MDB), que ainda busca projeção própria após anos na sombra do governador Eduardo Leite.
O que as pesquisas dizem e por que elas divergem
Pesquisa divulgada pelo Real Time Big Data entre os dias 20 e 22 de junho de 2026, com 1.600 entrevistados e margem de erro de 2 pontos percentuais, mostrou Juliana Brizola (PDT) liderando o cenário estimulado de primeiro turno com 5 pontos percentuais de vantagem sobre Luciano Zucco (PL). Na simulação de segundo turno entre os dois, há empate técnico. Já outros institutos, como o Brasmarket, apontaram Zucco na liderança em levantamentos anteriores, o que evidencia o quanto o cenário ainda está em construção. Gazeta do Povo
Essa divergência entre pesquisas não é incomum a quatro meses da eleição, especialmente num estado onde o eleitorado tende a decidir relativamente tarde. Levantamento do Instituto Methodus destacou que os elevados índices de indecisão nas simulações espontâneas revelam baixo nível de cristalização das preferências, e que o eleitorado ainda não internalizou plenamente as disputas majoritárias dentro do atual ciclo eleitoral. Em termos práticos, isso significa que há muito espaço para os candidatos crescerem ou caírem até outubro. Methodus
A disputa ao Senado, onde o estado elegerá dois nomes para ocupar as vagas deixadas por Luiz Carlos Heinze (PP) e Paulo Paim (PT), acrescenta uma camada a mais de complexidade ao cenário. Na disputa consolidada pelos dois votos ao Senado, Marcel Van Hattem (Novo), Manuela D’Ávila (PSOL) e Ubiratan Sanderson (PL) aparecem entre os mais citados, numa disputa acirrada com Germano Rigotto (MDB) e Paulo Pimenta (PT). O resultado no Senado tende a influenciar e ser influenciado pelo desempenho dos candidatos ao governo, criando uma dinâmica de chapa que os partidos tentam aproveitar ao máximo. Gazeta do Povo
As alianças que vão definir a eleição
Os partidos PL e Novo costuram uma coligação de direita para as eleições de 2026 no estado gaúcho, formando uma frente de oposição à continuidade do grupo político do governador Eduardo Leite (PSD-RS), além de enfrentar o PT e o PDT. O acordo político entre as siglas está delineado: o pré-candidato ao governo gaúcho será Luciano Zucco (PL-RS), enquanto a chapa ao Senado reunirá Marcel van Hattem (Novo-RS) e Ubiratan Sanderson (PL-RS). A aliança é estratégica e reflete a tentativa da direita de concentrar votos em vez de dispersá-los entre múltiplos candidatos. Gazeta do Povo
Do outro lado, o campo de esquerda ainda enfrenta um dilema clássico: Brizola e Pretto disputam o mesmo perfil de eleitor progressista, e a divisão pode ser fatal para ambos. A questão de quem será o nome único da esquerda no segundo turno não está resolvida, e a resposta dependerá tanto das pesquisas dos próximos meses quanto das negociações entre PDT e PT, dois partidos com histórico de relação tensa no Rio Grande do Sul. O MDB, por sua vez, tenta se posicionar como alternativa moderada, apostando na herança política de Eduardo Leite como âncora para Gabriel Souza.
Para Bagé e a Campanha Gaúcha, a eleição tem um significado especial. A região, historicamente ligada à tradição da pecuária e com laços culturais fortes com o Uruguai, costuma votar de forma diferente da capital e da Serra. O comportamento do eleitorado do pampa gaúcho nas próximas pesquisas locais será um indicador relevante sobre como os candidatos estão chegando ao interior do estado.
O papel de Eduardo Leite e o que muda com sua saída
Eduardo Leite deixa o governo com índices de aprovação razoáveis, mas sua eventual candidatura ao Senado ou à Presidência cria um vazio no campo governista que Gabriel Souza ainda precisa preencher. A transição de visibilidade, de um governador com exposição nacional para um vice-governador ainda em construção de imagem própria, é um dos riscos centrais do MDB nessa eleição.
Na avaliação da cientista política Andreia Maidana, o vice-governador gaúcho ainda não se consolidou politicamente, em razão de a figura do cargo geralmente ser ofuscada pelo chefe do Executivo, algo que pode mudar a partir da campanha eleitoral, especialmente se Leite concorrer ao Senado e percorrer o estado ao lado do aliado. A estratégia do MDB dependerá, portanto, de quanto Leite estará disposto a caminhar ao lado de Souza nas próximas semanas. Gazeta do Povo
Para o eleitor gaúcho, os próximos dois meses serão decisivos para entender quem de fato está na corrida e com quais propostas. As convenções partidárias, marcadas para o fim de julho e início de agosto, devem consolidar os nomes e abrir espaço para uma campanha mais intensa. Até lá, o campo eleitoral permanece aberto, e qualquer pesquisa deve ser lida com a cautela que o cenário ainda fluido exige.
Fontes: Gazeta do Povo / Real Time Big Data (https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/pesquisa-eleitoral-2026/real-time-big-data-governador-rio-grande-do-sul-junho-2026/) | Instituto Methodus (https://institutomethodus.com.br/pesquisa-eleitoral-riograndedosul-eleicoes2026/) | Exame (https://exame.com/brasil/eleicoes-2026-quem-sao-os-possiveis-candidatos-ao-senado-do-rio-grande-do-sul/)
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
