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Planalto avalia que repercussão após pressão contra manifesto da Fiesp foi tiro pela culatra

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Planalto avalia que repercussão após pressão contra manifesto da Fiesp foi tiro pela culatra

Camarotti sobre movimento do setor produtivo: ‘É um alerta para o futuro’
Auxiliares próximos do presidente Jair Bolsonaro já reconhecem que foi um erro estratégico ter feito grande pressão para evitar a divulgação do manifesto da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) com entidades dos setores produtivo e financeiro pela pacificação institucional.
Nas palavras de um interlocutor direto do presidente Bolsonaro, o tiro saiu pela culatra, pois a repercussão foi muito maior e acabou expondo a debandada de empresários que apoiavam no início a política liberal do ministro da Economia, Paulo Guedes.
A percepção é que o episódio evidenciou um isolamento bem maior do governo e um recado do setor produtivo de que vai puxar o freio de mão de novos investimentos se permanecer essa instabilidade permanente nas relações institucionais provocada pela gestão Bolsonaro.
Há o reconhecimento interno de que o governo errou na dose para segurar o manifesto da Fiesp. Depois da pressão direta ao presidente da entidade, Paulo Skaf, o manifesto foi adiado.
Mas na noite da quinta-feira (2), a própria Febraban reafirmou o apoio ao manifesto em defesa da democracia, depois do governo ter ameaçado com a saída do Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal da entidade. Depois do comunicado, os bancos públicos desistiram de deixar a Febraban.
“A repercussão foi muito maior. O manifesto já era bem cauteloso, sem um ataque direto ao governo. Foi um erro ter feito tanta pressão”, reconheceu ao Blog um interlocutor direto do presidente Jair Bolsonaro.
Com o movimento da Fiesp de adiar a divulgação do manifesto, outras entidades divulgaram textos bem mais contundentes com críticas ao governo e em defesa da democracia, inclusive no setor do agronegócio.
O governo chegou a articular um manifesto com teses bolsonaristas divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Mas a reação neste caso partiu do próprio estado de Minas Gerais. Foi divulgado na quarta-feira (1º) um “Segundo Manifesto dos Mineiros”, articulado pela Associação Comercial e Empresaria de Minas (ACMinas) e com apoio do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.
“A ruptura pelas armas, pela confrontação física nas ruas, é sinônimo de anarquia, que é antônimo de tudo quanto possa compreender uma caminhada serena, cidadã e construtiva. A democracia não pode ser ameaçada, antes, deve ser fortalecida e aperfeiçoada. O que se pretende provocar é outro tipo de ruptura: a ruptura através das ideias e da mudança de comportamentos em todas as dimensões da vida”, afirma o manifesto dos mineiros em um dos trechos mais críticos.
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