O médico cirurgião plástico, Milton Seigi Hayashi, apresenta que as reconstruções no membro inferior costumam ser desafiadoras porque lidam com pouco tecido disponível, mobilidade constante, edema e risco aumentado de complicações quando há exposição de estruturas. A escolha do método certo muda o desfecho funcional e a qualidade da cicatrização.
A seguir, o foco é explicar o que é o retalho supramaleolar lateral, em quais situações ele pode ser indicado, quais vantagens oferece e quais cuidados influenciam o resultado. A proposta é traduzir uma técnica reconstrutiva com linguagem clara, mantendo precisão e utilidade prática.
O que é o retalho supramaleolar lateral e qual a sua base vascular?
O retalho supramaleolar lateral é um retalho fasciocutâneo utilizado para reconstruções na região distal da perna, tornozelo e dorso do pé. Ele é planejado a partir da pele e fáscia da porção distal lateral da perna e se apoia em uma base vascular relacionada à artéria fibular, com irrigação que permite rotação para cobrir defeitos próximos. Essa característica o torna particularmente útil em áreas onde o fechamento direto seria inviável e onde enxertos podem falhar por falta de leito adequado.

Na prática, compreender a base vascular é essencial para segurança. Um retalho não é apenas um “pedaço de pele deslocado”, mas um tecido transferido com suprimento sanguíneo preservado. Com isso, Milton Seigi Hayashi destaca que a indicação correta começa na avaliação da vascularização, da extensão do defeito e do objetivo funcional. Quando bem planejado, o retalho oferece cobertura estável e reduz risco de perda de tecido em regiões de maior vulnerabilidade.
Para quais lesões no pé e tornozelo ele costuma ser indicado?
Esse retalho costuma ser indicado para lesões no tornozelo, dorso do pé e regiões adjacentes, especialmente quando há exposição de tendões, osso ou estruturas que exigem cobertura vascularizada. Ele pode ser uma solução estratégica em feridas traumáticas, deiscências cirúrgicas e defeitos com perda de substância em áreas onde a pele é fina e pouco móvel. Em muitos casos, Hayashi expõe que a necessidade não é apenas cobrir, mas criar uma proteção que suporte movimento e permita reabilitação.
A indicação também considera tamanho e localização do defeito. Há situações em que o retalho supramaleolar lateral pode cobrir bem uma área distal sem a complexidade de alternativas mais invasivas. O critério é sempre individual: além da ferida em si, avalia-se qualidade dos tecidos ao redor, presença de infecção, status vascular e contexto clínico, porque isso define previsibilidade de cicatrização.
Quais cuidados cirúrgicos e pós-operatórios influenciam o resultado?
O resultado depende de planejamento e execução rigorosos. No intraoperatório, cuidados com o desenho do retalho, preservação do pedículo vascular e manuseio delicado dos tecidos são decisivos. A viabilidade do retalho também pode ser influenciada por fatores sistêmicos, como tabagismo, diabetes e condições vasculares. Por isso, avaliação prévia e controle clínico fazem parte do cuidado, não são etapas secundárias.
No pós-operatório, a proteção do retalho é essencial. Evitar compressão, controlar edema e seguir orientações de repouso e mobilização segura contribuem para o sucesso. A equipe monitora coloração, temperatura, dor e sinais de sofrimento tecidual. Hayashi costuma orientar que o pós-operatório é continuação da técnica. A qualidade do acompanhamento e a adesão do paciente influenciam tanto quanto a cirurgia na cicatrização e no bem-estar.
Quando considerar outras alternativas reconstrutivas além desse retalho?
Apesar de versátil, o retalho supramaleolar lateral não é universal. Defeitos muito extensos, comprometimento vascular importante, infecção não controlada ou necessidade de cobertura em áreas fora do alcance anatômico do retalho podem exigir outras soluções. Em alguns casos, retalhos diferentes, enxertos associados ou técnicas mais complexas são mais adequadas para garantir viabilidade e resultado funcional.
A decisão também envolve objetivo do tratamento. Se a prioridade é cobertura de grande área, ou se há necessidade de tecido com características específicas, o planejamento pode mudar. Conforme considera Milton Seigi Hayashi, a escolha não deve ser guiada pela preferência técnica, e sim pelo que oferece maior segurança e previsibilidade para o paciente. Reconstrução bem indicada reduz riscos, melhora cicatrização e contribui para recuperação mais completa, com função preservada.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
