A Polícia Federal deflagrou, em 11 de setembro de 2026, a segunda fase da Operação Prior, que investiga possíveis desvios de recursos públicos destinados à saúde em Bagé. A ação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Bagé, Porto Alegre e Alvorada, no Rio Grande do Sul.
As medidas foram autorizadas pela 2ª Vara Federal de Santana do Livramento. Conforme informações divulgadas pela Polícia Federal, a apuração envolve contratos firmados pelo município com uma cooperativa responsável pela prestação de serviços de saúde.
O que a investigação apura
Os levantamentos realizados na Operação Prior II buscam esclarecer possíveis pagamentos indevidos relacionados aos contratos analisados. Segundo a PF, os valores sob apuração são estimados em mais de R$ 7 milhões. A investigação ainda está em andamento, e a estimativa apresentada pela corporação não representa, por si só, uma conclusão definitiva sobre a ocorrência de crimes ou sobre a responsabilidade de pessoas e instituições.
Além da execução dos contratos, os investigadores apuram uma possível tentativa de interferência em uma nova licitação. A suspeita é de que o procedimento pudesse ser direcionado em favor da entidade que já prestava serviços ao município. A medida judicial realizada nesta fase busca reunir documentos e outros elementos que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos.
A operação está relacionada à aplicação de recursos públicos na área da saúde, tema que envolve diretamente a administração municipal e os usuários da rede pública. A análise dos contratos e dos procedimentos licitatórios deverá indicar como ocorreram os pagamentos, quais agentes participaram das decisões e se houve prejuízo ao patrimônio público.
Mandados foram cumpridos em três cidades
Os quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Bagé, Porto Alegre e Alvorada. A operação tem como foco endereços relacionados aos fatos investigados, conforme a decisão da Justiça Federal. A Polícia Federal não informou, na divulgação consultada, a identidade dos alvos das medidas.
As buscas fazem parte de uma etapa de coleta de provas. A partir do material apreendido e de outras diligências, o inquérito poderá avançar na verificação de documentos, comunicações e registros ligados aos contratos de saúde e à possível interferência no processo de contratação pública.
Prefeitura afirma ter comunicado suspeita
Em manifestação divulgada pelo Bagé Agora, a Prefeitura de Bagé informou que servidores municipais teriam relatado à Procuradoria-Geral do Município uma suposta tentativa de interferência em procedimento licitatório.
De acordo com o comunicado reproduzido pelo veículo local, a administração municipal afirmou ter encaminhado o caso às autoridades e colaborar com a apuração. A informação indica que a suspeita relacionada à licitação já havia sido comunicada ao município antes da deflagração da nova fase da operação, mas os detalhes sobre o encaminhamento e sobre os envolvidos permanecem sob investigação.
Quais podem ser os próximos passos
Com o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal deverá analisar os materiais recolhidos e seguir com as diligências previstas no inquérito. A corporação informou que os fatos ainda estão sendo apurados e que os suspeitos poderão responder, conforme o resultado da investigação, por crimes como peculato, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, associação criminosa e irregularidades em contratos administrativos.
A eventual responsabilização dependerá da confirmação dos elementos reunidos ao longo do procedimento e das decisões das autoridades competentes. Até o momento, não há conclusão definitiva sobre a prática dos crimes mencionados. A Operação Prior II permanece, portanto, em fase investigativa, com foco nos contratos de saúde de Bagé, nos pagamentos estimados em mais de R$ 7 milhões e na possível interferência em uma nova licitação.
