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'Tentou botar minha mãe contra mim', diz filha de idosa resgatada após abuso financeiro em Porto Alegre

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'Tentou botar minha mãe contra mim', diz filha de idosa resgatada após abuso financeiro em Porto Alegre


Aposentada viveu por quase 10 meses com farmacêutica. Família acredita que mulher manipulou e ministrou medicamentos para dopar idosa. Objetos comprados pela mulher com cartão da idosa foram apreendidos pela polícia
Divulgação/Polícia Civil
A mulher procurada pela Polícia Civil de Porto Alegre por abuso financeiro contra uma senhora de 81 anos tentou afastar a mulher da família. A filha da socióloga aposentada conversou com o G1 e contou que desconfiava da situação desde que a suspeita se mudou para a casa da senhora, em dezembro do ano passado.
“Ela tentou botar minha mãe contra mim”, declara a filha, que tem 61 anos. “Minha mãe conheceu ela em um lugar de saúde, confiou nela por isso” diz a filha. Os nomes dos envolvidos não serão divulgados, a pedido da Polícia Civil, que ainda investiga o caso.
Na manhã de sábado (10), a idosa foi resgatada na própria casa, no Bairro Mont’Serrat, em cumprimento de um mandado judicial, após denúncia da filha. No quarto que era ocupado pela suspeita, foram apreendidos objetos de alto valor, segundo a polícia, comprados com um cartão da idosa.
A farmacêutica será chamada para depor nesta semana.
A filha ainda diz que, no dia do resgate, a zeladora relatou que a mulher levou embora uma grande quantidade de caixas de compras que haviam chegado no prédio, usando o automóvel da aposentada, que ela dirigia. Depois, abandonou o carro, mas levou as chaves e os documentos do veículo, e não voltou para o apartamento. A filha desconfia que a mulher viu a movimentação da polícia.
A aposentada foi encontrada na cama. A filha relata que ela vinha apresentando piora nas condições de saúde. Foi internada por duas vezes e passou a usar fralda geriátrica.
“[A internação foi] para desintoxicar de uma medicação que, segundo a pessoa, a mãe tomou errado”, relata a filha. Após o resgate, a idosa passa bem e é avaliada por médicos da família.
Mulher comprava objetos de alto valor com dinheiro da aposentada, segundo a Polícia Civil
Divulgação/Polícia Civil
Mulher saiu do trabalho após ir morar com idosa
A filha conta que passou a suspeitar da mulher acolhida pela sua mãe depois que ela pediu demissão de onde trabalhava, uma farmácia, onde conheceu a aposentada. “Minha mãe se encantou e trouxe ela para morar, porque ela [a farmacêutica] estava morando num hotelzinho”, afirma.
Conforme a filha, a mãe, uma socióloga aposentada, vivia sozinha e era saudável e independente. “Minha mãe teve a vida dela, sempre respeitei, mas fiquei de olho”, diz.
Pouco tempo depois, a mulher passou a usar o carro da idosa. E ainda, segundo a filha, tentou manipular a aposentada para desconfiar da própria filha. “Ela tentou botar a minha mãe contra mim. [dizendo] Que eu queria botar na clínica e se apossar do dinheiro”, afirma.
Ao desconfiar, a filha, com ajuda de pessoas próximas, passou a colher informações sobre a mulher. Segundo a polícia, ela tem uma condenação em 2016, por dopar outra idosa e se apropriar de bens. Foi quando a família decidiu acionar a polícia.
Para a filha, a mulher fez um “jogo doentio”. A idosa já não falava mais com parentes, e aparentava estar dopada.
Resgatada e com o contato retomado da família, a aposentada aparenta estar confusa com a situação, como descreve a filha.
“Minha mãe está começando a se recuperar. Ela está tendo momentos de lucidez, entendendo o que aconteceu e isso fez com que ela entrasse em choque”, pontua.
“A minha mãe é uma pessoa crédula, embora seja culta, sempre foi de se apegar fácil. É filha única”, descreve a filha, que também não teve irmãos.
Vítima trancada com o agressor
Situações como essa não são incomuns, conforme a delegada Cristiane Machado Pires Ramos, que investiga o caso e está à frente da Delegacia de Polícia de Proteção ao Idoso.
“Nosso trabalho de proteção e resgate de idoso às vezes é tão importante quando prender. A proteção a vulneráveis é bem complexa, porque a vítima não está na rua. Está trancada com o agressor”, afirma.
A filha da aposentada aconselha a quem tiver pessoas na família vulneráveis a golpe a se encorajar e denunciar. “Que fiquem atentas, não aceitem e que tenham coragem”
“Eu espero que ela [a farmacêutica] seja presa, já que ela não cumpriu em prisão fechada [no caso anterior]”, conclui a filha.
Confira os destaques do G1 RS desta segunda-feira (12)
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