Se Bolsonaro ouvisse aliados políticos, falaria mais de Bolsa Família

Integrantes do núcleo político do governo, angustiados com o atoleiro do projeto de reeleição de Jair Bolsonaro, tentam convencer o presidente a priorizar o discurso social em todas as suas falas públicas.

É hora de esquecer o fetiche militar, esquecer o Exército, o voto de papel e outras parolagens para comunicar diretamente ao amplo eleitorado que depende das políticas sociais do governo para viver.

Bolsonaro, que nem partido tem para disputar a reeleição, vem ignorando esses pedidos da ala política. Acredita que perderá o controle de sua reeleição se jogar no campo da política profissional. Prefere seguir os passos de Carlos Bolsonaro, como em 2018.

O problema: Bolsonaro não tem mais o discurso da nova política. Agora, ele é o sistema, é o governo e a figura mais visível dos erros — que são muitos — e acertos da atual administração.

Bolsonaro também não é mais o defensor da Lava-Jato e do combate à corrupção. Ao contrário. Foi na gestão dele que a Lava-Jato chegou ao fim, que Sergio Moro virou “inimigo” e que as propostas anticorrupção sofreram derrotas no Congresso, sendo inclusive jogadas na geladeira, como a prisão em segunda instância.

O discurso que sobrou ao presidente é o de vítima do sistema, o Messias perseguido por tudo e todos. É o suficiente para chegar ao segundo turno?