Sai pandemia e entra a economia como a principal preocupação dos brasileiros

Pesquisa divulgada nesta quarta-feira (1º) mostra que o número de brasileiros que vê na economia o principal problema do país cresceu de 12% para 27% em apenas três meses. “Qual o problema de a energia ficar um pouco mais cara?”, perguntou, há uma semana, o ministro da Economia, Paulo Guedes. A resposta veio rápida como a luz: o número de brasileiros que vê na economia o principal problema do país cresceu de 12% para 27% em apenas três meses. Mais do que dobrou. Uma trajetória inversamente proporcional à preocupação com a pandemia, que despencou no mesmo período de 41% para 28%.
É o que indica a pesquisa Genial, divulgada nesta quarta-feira (1º) pelo Instituto Quaest Pesquisa e Consultoria.
Guedes sobre energia: ‘Não adianta eu ficar sentado chorando’
Os números mostram ainda que não colou a estratégia do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de tentar transferir para governadores o fracasso econômico de seu governo. Na pandemia, Bolsonaro lutou contra a vacina e o isolamento social com o pretexto de que estava defendendo a economia. Foi uma manobra preventiva para culpar os governadores por um previsível desastre econômico. O estrago está feito e derreteu a popularidade do governo.
“Economia é e sempre foi um assunto do presidente, não adianta tentar transferir a culpa para os outros. James Carville, marqueteiro de Clinton, já disse sobre eleição presidencial: é a economia, estúpido” , ressalta o cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest Pesquisa e Consultoria.
Fica claro, também (sem nenhum trocadilho com o desprezo de Paulo Guedes pela conta de luz), que o governo Bolsonaro não inspira mais tanta confiança na área comandada por aquele que um dia já foi o “Posto Ipiranga”. Sobre a expectativa de melhora no cenário econômico nos próximo 12 meses, o número de otimistas caiu de 50% para 44%. Já os que não creem em melhora subiu de 25% para 32% em apenas 30 dias.
Resumo da ópera: enquanto Bolsonaro se esforça para oferecer problemas irreais para a população, como voto impresso e briga com ministros do Supremo, a população está focada em problemas reais: emprego, arroz e feijão no prato. Chegou a hora do “Posto Ipiranga” mostra seu valor. Ou não.