RS comemora 200 anos de Anita Garibaldi: ‘Uma grande mulher’, diz bisneto italiano


Natural de Santa Catarina, Anita Garibaldi lutou na Guerra dos Farrapos, disputada entre 1835 e 1845 no Rio Grande do Sul. Dia do bicentenário foi de homenagens no estado. Bisneto italiano fala dos 200 anos de Anita Garibaldi
Esta segunda-feira (30) marcou os 200 anos de nascimento de Anita Garibaldi, nome histórico da Guerra dos Farrapos, disputada no Rio Grande do Sul entre 1835 e 1845. Natural de Laguna (SC), Ana Maria de Jesus Ribeiro conheceu o italiano Giuseppe Garibaldi já em meio aos combates, em 1839. Os dois se uniram na vida e nas batalhas, no Brasil e na Europa.
Em vídeo enviado ao governo do RS para a cerimônia de comemoração do bicentenário da “heroína dos dois mundos”, o bisneto Giuseppe Garibaldi, direto da Itália, comentou sobre a trajetória da brasileira. (Veja acima)
“Uma grande mulher, que compartilhou com Giuseppe Garibaldi valores de liberdade, de democracia, de progresso civil”, disse.
Um grupo de mulheres cavalarianas desfilou por ruas do Centro Histórico de Porto Alegre em homenagem à data. No Palácio Piratini, sede do Executivo gaúcho, apresentações musicais e uma exposição artística destacaram a memória de Anita Garibaldi.
História de Anita
Anita nasceu em Laguna, sendo a terceira filha entre 10 crianças. Na tomada do porto da cidade, ela conheceu o italiano Giuseppe, com quem se juntou nas lutas territoriais da época. Em 1842, os dois se casaram em Montevidéu, capital do Uruguai, onde também participaram de batalhas.
Juntos, tiveram quatro filhos: Menotti (1840), Rosa (1843), Teresa (1845) e Ricciotti (1847). A guerrilheira morreu aos 27 anos, em 1949, na Itália, grávida do quinto filho, que também faleceu.
Os restos mortais da catarinense estão em um monumento da Colina do Gianícolo, em Roma. No Brasil, o nome de Anita foi inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, no Panteão da Liberdade e da Democracia, em Brasília.
Pintura de Dakir Parreiras retrata Anita Garibaldi com filho bebê no colo
Reprodução/RBS TV
Inspiração
Nome de rua em diversas cidades do Rio Grande do Sul, Anita Garibaldi virou modelo de bravura e resistência em razão dos combates contra as tropas imperiais na Guerra dos Farrapos, no século XIX. (Veja a reportagem abaixo)
A escritora Letícia Wierzchowski, autora do livro “A Casa das Sete Mulheres”, que inspirou a minissérie da TV Globo, defende que Anita Garibaldi ganhe mais espaço nas escolas e na preservação da história.
“A Anita foi uma das grandes mulheres da história da humanidade. Imagina que, em 10 anos que ela conheceu Giuseppe Garibaldi, ela lutou em três guerras em três países diferentes e se expôs a coisas, ousou coisas que uma mulher do século XIX… Eu não sei se outra fez tanto, rompeu tantos paradigmas quanto Anita”, observa.
Memória Globo: A Casa das Sete Mulheres (2003)
Para a patrona dos Festejos Farroupilhas 2021, Liliana Cardoso, a história da heroína inspira as mulheres gaúchas desde então.
“Ela está viva, ela é atemporal e inspiração para tantas mulheres, em tantos caminhos de Anita, de luta, de resistência, de resiliência. Uma mulher à frente do seu tempo, visionária, forte, guerreira”, diz.
A cantora Leila Beatris é uma das mulheres que se inspiram na trajetória de Anita. Indígena da etnia Kaingang, a artista fala do exemplo da luta travada há quase dois séculos.
“Nós não pegamos na espada, não pegamos no fuzil. Mas nós trabalhamos do nosso jeito. Nós vamos à luta do nosso jeito, para nossas conquistas. Lutar pelos nossos objetivos”, sustenta.
Bicentenário de Anita Garibaldi é celebrado nesta segunda (30)
O quadro que retrata Anita fugindo a cavalo para proteger o filho ainda pequeno, pintado por Dakir Parreiras, é uma das relíquias da cultura gaúcha. A obra é restaurada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Sul do estado.
“Foi um prazer enorme pela história das obras e, principalmente, pela personagem destacada”, afirma uma das pesquisadoras responsáveis pelo reparo, Andréa Bachetini.
O trabalho, em fase final, será concluído com a devolução da pintura para o Museu Histórico Farroupilha de Piratini, também no Sul do RS, onde esteve por mais de 50 anos. A diretora do museu, Francieli Domingues Corral, lembra que o quadro ficava na entrada do espaço.
“A gente sempre diz que a saída dela do museu, transformou o museu. A gente sente essa carência, essa necessidade de tê-la como representação artística e histórica, sobretudo, um pilar da figura da mulher no movimento farroupilha”, considera.
Museu Histórico Farroupilha em Piratini, no Sul do RS
Reprodução/RBS TV
VÍDEOS: Tudo sobre o RS