Reverendo tinha apoio de aliados de Bolsonaro para comprar vacinas para o Ministério da Saúde

A Cúpula da CPI da Covid coletou documentos apontando que o reverendo Amilton Gomes de Paula contava com o apoio de parlamentares da base aliada do governo do presidente Jair Bolsonaro para adquirir vacinas para o Ministério da Saúde e tratava do tema com assessores diretos do presidente da República. Amilton Gomes negociou 400 milhões de doses da AstraZeneca em nome do governo (veja mais abaixo).
“Essa é mais uma prova que o governo Bolsonaro terceirizou as negociações para compra de vacinas com origem desconhecida, enquanto não dava prioridade para a compra de imunizantes dos laboratórios mais importantes do mundo”, disse ao blog o vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).
Em cartas de apoio, parlamentares aliados de Bolsonaro destacavam o papel “importante” da Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), comandada pelo reverendo, na “aquisição de vacinas para o governo brasileiro, a preço humanitário”. O texto obtido pela CPI diz que os deputados parabenizam a agência do reverendo na interlocução entre laboratórios e governo.
O reverendo Amilton Gomes de Paula participou das negociações para levar representantes da Davati para conversas com a cúpula do Ministério da Saúde, a fim de vender 400 milhões de doses de vacinas. Gomes de Paula chegou a prometer ao representante da Davati no Brasil, Cristiano Carvalho, colocá-lo para conversar com o presidente Bolsonaro a fim de formalizar a proposta de venda de vacinas.
Ministério da Saúde exonera diretor que deu aval para reverendo negociar compra de vacina
Nas voltas dos trabalhos da CPI da Covid, o primeiro depoimento agendado é exatamente o do reverendo Amilton Gomes de Paula, marcado para a terça-feira (03). Ele será o terceiro nome a ser ouvido pela CPI nas investigações relacionadas à denúncia de cobrança de propina para compra de vacinas pelo Ministério da Saúde.
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