Perícia conclui que não houve entrada de pessoas estranhas em apartamento funcional de Joice Hasselmann


Deputada teve fraturas e dentes quebrados e diz não se lembrar do que ocorreu; foram analisadas 16 câmeras e funcionários do condomínio prestaram depoimento. Inquérito foi concluído e enviado ao MPF, que devolveu apuração à Polícia Legislativa até conclusão de todos os laudos. Prédio onde se localiza o apartamento funcional da deputada Joice Hasselmann
TV Globo/Reprodução
Uma perícia feita pelo Departamento de Polícia Legislativa (Depol) da Câmara dos Deputados, em câmeras de segurança, concluiu que nenhuma pessoa estranha entrou no apartamento funcional onde a deputada federal Joice Hasselmann (PLS-SP) mora, em Brasília, entre os dias 15 e 20 de julho.
A corporação concluiu, nesta terça-feira (27), o inquérito que apura um incidente ocorrido no imóvel, na madrugada de 18 de julho. A parlamentar afirma que acordou na madrugada com diversos hematomas e percebeu manchas de sangue no chão, mas não se lembra do que ocorreu (veja mais abaixo).
A Polícia Legislativa realizou perícia em 16 câmeras do prédio e ouviu funcionários que trabalham no local. O inquérito foi encaminhado para o Ministério Público Federal. Porém, o procurador Wellington Divino Marques de Oliveira decidiu devolver os autos à corporação. Ele afirmou que só vai se manifestar após o término de todos os laudos periciais, mas não detalhou quais faltam.
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O caso também está sendo investigado pela Polícia Civil do DF. Na segunda-feira (26), Joice Hasselmann passou por exame toxicológico e de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), nove dias após o incidente. Nesta terça, agentes fizeram perícia no apartamento e no carro da parlamentar.
Após a divulgação das conclusões da Polícia Legislativa, Joice divulgou uma nota, afirmando que há pontos cegos nas câmeras de segurança do prédio (veja íntegra ao fim da reportagem).
“Acrescento à nota da Depol um pequeno, mas imprescindível detalhe: não existem câmeras de segurança nas escadas, nem nas entradas dos apartamentos funcionais – eu mesma chamei a atenção para o problema em meu depoimento à Depol e agentes alegaram que seria para resguardar a ‘privacidade’ dos parlamentares”, afirma.
Mudança de versões
Na manhã desta terça-feira, a Secretaria de Comunicação da Presidência da Câmara dos Deputados disse à TV Globo que o Depol não havia identificado a entrada de nenhuma pessoa estranha no prédio onde mora Joice. A nota também diz que a perícia concluiu que a parlamentar não saiu do imóvel nesse período.
Nota enviada pela Secom da Presidência da Câmara dos Deputados
Reprodução
Mais tarde, uma segunda nota divulgada pela assessoria de comunicação da Câmara dos Deputados excluiu essas duas informações.
O G1 questionou a assessoria sobre a diferença entre as duas notas e o órgão respondeu que não confirmava as informações divulgadas à imprensa mais cedo. No meio da tarde, a Casa reenviou a primeira nota, confirmando o teor das informações.
Nota da Assessoria de Comunicação da Câmara dos Deputados, excluindo as informações divulgadas pela Secom da Presidência da Câmara
Reprodução
A Câmara também disse que há segurança nos apartamentos funcionais dos parlamentares. “Os prédios possuem vigilância armada e porteiros, ambos 24 horas por dia, 7 dias por semana. Além disso, há câmeras de segurança e rondas ostensivas, com viatura caracterizada.”
Segundo o departamento, outras informações sobre a investigação do caso da deputada Joice Hasselmann, no âmbito do Depol, são sigilosas, conforme artigo 20 do Código de Processo Penal.
Deputada Joice Hasselmann exibe lesões
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Depoimento e perícia no IML
Na segunda-feira (26), Joice Hasselmann esteve na 2° Delegacia da Polícia Civil, na Asa Norte, em Brasília, para prestar depoimento sobre o incidente em seu apartamento funcional. Segundo a parlamentar, foi a terceira vez que ela depôs sobre o caso.
Ao sair da delegacia, a deputada disse que “formalizou” um boletim de ocorrência sobre o caso na Polícia Civil, e que entregou um “objeto” encontrado no sofá de casa, neste domingo (25). No entanto, não disse que objeto foi esse.
O caso
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A deputada Joice Hasselmann afirma que, na madrugada de 18 de julho, acordou com marcas de sangue no chão do apartamento, mas não se lembra do que ocorreu. Ela percebeu que estava com dois dentes quebrados e um corte no queixo.
A deputada conta que ligou para o marido, o médico Daniel França, que estava no apartamento e dormia em outro quarto, e ele a socorreu. Um hospital de Brasília constatou que Joice também teve cinco fraturas no rosto e na costela.
Em entrevista coletiva no domingo (25), o casal afirmou que, nos primeiros dias, acreditava se tratar de uma queda. Joice disse que só solicitou que a Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados (Depol) investigasse o caso cinco dias depois, por recomendação de um médico.
Inicialmente, as suspeitas de agressão só foram informadas à Polícia Legislativa pelo fato ter ocorrido em um imóvel funcional da Câmara dos Deputados. Joice afirma que pediu o compartilhamento da investigação com a Polícia Civil de São Paulo, que apura ocorrências de ameaças de morte contra ela.
Após a repercussão do caso, Joice Hasselmann e o marido responderam às repercussões de que seria um caso de violência doméstica. “Não tenho motivo para fazer isso. Jamais faria isso”, disse França na entrevista concedida ao lado da esposa.
A deputada afirmou que apresentou os nomes de dois suspeitos para a polícia – um deles, parlamentar. Ela diz ainda que, há três meses, quando ficou ausente por 10 dias do imóvel funcional, encontraram uma carteira de cigarro dentro do apartamento, mas não há fumantes na casa, segundo a parlamentar.
O que diz a deputada
Confira íntegra de nota divulgada por Joice Hasselmann após conclusão do inquérito da Polícia Legislativa:
“A nota da Depol prova o que eu tinha dito desde o início sobre as datas do ocorrido e derruba a tese espalhada por governistas de suposto acidente de carro: eu não saí de casa, como, aliás, é de praxe nos finais de semana. Eu mesma pedi perícia à PCDF do meu automóvel para comprovar que não houve qualquer avaria.
Na terça (20), por insistência de dois médicos (meu marido e doutor Roberto Kalil), fui ao hospital para fazer as tomografias, ainda acreditando ser apenas num acidente doméstico — uma queda contra algum obstáculo. Na quarta-feira (21), com os laudos prontos, descobrimos as fraturas no rosto e coluna. A pele nas primeiras 24h estava clara, sem hematomas, conforme imagens entregues ao IML. Apenas na segunda-feira (19), os hematomas começaram a aparecer, indícios de fratura. Na terça (21), fiz os exames.
Adendo à nota da Depol
Acrescento à nota da Depol um pequeno, mas imprescindível detalhe: não existem câmeras de segurança nas escadas, nem nas entradas dos apartamentos funcionais – eu mesma chamei a atenção para o problema em meu depoimento à Depol e agentes alegaram que seria para resguardar a “privacidade” dos parlamentares. Comuniquei a falha de segurança também à Procuradoria da Mulher da Câmara e à Polícia Civil.
Não existe privacidade que possa ultrapassar a segurança física e moral de um parlamentar, em especial num imóvel público. Também comuniquei à Depol que solicitaria à presidência da Câmara a instalação de câmeras em todos os pontos cegos onde há clara falha de segurança no andar do apartamento que ocupo. Também tomei a decisão de trocar as chaves das portas do meu funcional, uma vez que na Câmara há departamento que tem cópias das chaves.
Instalação de novas câmeras
Com o incidente, a bancada feminina entendeu por bem estender o pedido de instalação de câmeras nas escadas e entradas de apartamentos para os imóveis ocupados por todas as mulheres, uma vez que ficou escancarada a vulnerabilidade de segurança que temos. Sem câmeras em locais que podem ser acessados por qualquer um que tenha o mínimo de informação sobre a rotina dos deputados, não teremos segurança, não teremos qualquer imagem, muito menos informações fidedignas sobre o caso.
Perícia da Polícia Civil
A Polícia Civil continua investigando. Fez longa perícia hoje (27) no apartamento e eu mesma, por meio de meus advogados, solicitarei uma série de diligências para que esse caso possa ser de fato investigado profundamente. Agradeço ao MPF por ter devolvido os dados apresentados e pedido mais informações.
Estou à disposição de todas as autoridades e meus depoimentos ainda seguem na Polícia Civil.
Deputada Federal
Joice Hasselmann”
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