O ESG (boas práticas ambientais) é dos millenials

Não é segredo para ninguém que o ESG, ou seja, as práticas ambientais, sociais e de governança praticadas pelas empresas tem tido uma importância cada vez maior entre investidores, consumidores e poder público. Entretanto, ainda não é algo importante ao ponto de levar a grande maioria das empresas a se preocuparem com o tema. As grandes empresas são a exceção. Exemplo disso é o próprio índice ESG da B3, a bolsa de valores brasileira, de nome “ISE B3- Índice de Sustentabilidade Empresarial”. Pois bem, neste índice, restam listadas empresas escolhidas, subjetivamente, por um conselho de especialistas. 

É importante constatar, também, que os investidores estão muito mais preocupados com frequência de dividendos, preço da ação em relação ao seu patrimônio e expectativa de crescimento do que com as práticas ESG. Nesse sentido, a não ser que nosso legislativo traga imposições que acabem por afetar o resultados das empresas, como tributação crescente para poluidores, impedimento de emissão de debentures ou mesmo de dividendos para companhias com autuações pelo Ministério do Trabalho ou condenações por práticas de corrupção, o que dificilmente viria a ocorrer já que acabaria por ser um grande golpe na economia de um país jovem em termos de democracia, como o Brasil, somente teríamos uma saída para a mudança com maiores investimentos considerando o nível ESG da empresa: O investidor.

Somente trocando o perfil do investidor conseguiremos, de fato, a valorização do ESG em empresas e, por consequência, um grande passo rumo à sustentabilidade em nosso país e a boa notícia é que este movimento está em andamento e, em alguns anos, restará completamente concretizado. 

Hoje, grande parte do patrimônio brasileiro, e mundial, se encontra nas mãos dos babyboomers. São os nascidos entre 1945 e 1964. O termo, em inglês, se refere ao boom demográfico ocorrido nos Estados Unidos durante esse período. No Brasil, os Baby Boomers passaram a participar efetivamente do mercado de trabalho nos anos de 1970. São pessoas que, hoje, tem idade entre 60 e 80 anos. Ocorre que, em um dado momento, a gestão do patrimônio deles passa aos filhos, que são os millenials, pessoas com idade entre 20 e 40 anos. 

E o que muda com essa “passagem de bastão”? Muito! 

Analisando os comportamentos de consumo dos Millenials e dos Baby Boomers, um estudo realizado pela First Insight mostrou as preocupações de cada uma delas com a sustentabilidade na hora da compra, comprovando que praticamente 1/3 dos Baby Boomers se preocupam com sustentabilidade na hora de consumir ao passo que quase 60% dos Millenials consideram o ESG no mesmo momento.

A explicação para esta diferença está na informação! As novas tecnologias e informações nos mostram a necessidade de conservação ambiental, governança e responsabilidade social na busca por uma sociedade mais justa e equânime. 

As gerações mais jovens consideram todos os processos vividos pelas empresas até que o produto chegue as suas mãos, considerando o impacto social e ambiental para escolher uma marca. O mesmo ocorre na hora de investir em uma empresa. 

Colocar a sustentabilidade como pilar para o desenvolvimento da sociedade está nas preocupações das novas gerações e será determinante para o rumo da sociedade no futuro. Exatamente por isso as empresas com foco no ESG devem estar prontas para receberem grande investimentos nos próximos anos e as demais devem se ajustar sob pena de sumirem. 

* Antonio Claret Jr. é advogado, Diretor-Geral da Agência Reguladora de Serviços Sanitários e Abastecimento de Água de Minas Gerais (ARSAE) e Vice-Presidente do Instituto Liberal. É filiado ao Partido NOVO desde 2015