Mayra Aguiar ganha 3º bronze: ‘Não colocava meu quimono havia 10 anos’, diz irmã que ajudou atleta a treinar


Para Hellen Aguiar, medalha de bronze conquistada em Tóquio se torna a mais importante em razão da recuperação de mais uma cirurgia no joelho e dos treinos feitos em casa durante a pandemia. VÍDEO: Veja o momento em que a judoca Mayra Aguiar derruba a adversária em Tóquio
Para conquistar o bronze olímpico em Tóquio, a judoca Mayra Aguiar precisou se recuperar de uma cirurgia no joelho e treinar em casa, em razão da pandemia de Covid-19. Quem ajudou no processo foi a irmã fisioterapeuta, Hellen Aguiar.
“Ajudei bastante ela na questão da preparação. A gente treinava em casa então foi bem difícil pra ela conseguir treinar direito. Eu não colocava meu quimono havia 10 anos, não foi fácil”, brinca.
A judoca passou por uma cirurgia, a 7ª da carreira, em novembro de 2020, para reparar uma grave lesão no joelho esquerdo.
Mayra (à esquerda) com a irmã Hellen
Arquivo pessoal
Em entrevista após a conquista do bronze olímpico, para a TV Globo, Mayra destacou que foi a conquista mais importante da carreira.
“Não estou conseguindo falar, estou emocionada. Acho que é a conquista mais importante para mim. Foram difíceis os últimos tempos, bem difíceis, tem que superar, superar de novo e de novo. Não aguentava mais fazer cirurgia, ainda mais no momento que vivemos, tive medo, angústia. Mas continuei”, disse.
A irmã conta como foi o período de pandemia e lesões enfrentados pela atleta.
“Ela veio de uma lesão de uma cirurgia no joelho, estava sendo muito difícil se recuperar em meio a pandemia, isolada. Acredito que tenha sido a maior [conquista] por conta de ter que se reerguer em meio ao caos mundial”.
Hellen e Mayra (à direita) durante um dos treinamentos em casa
Arquivo pessoal
Na disputa pelo bronze, na manhã desta quinta-feira (29) em Tóquio, Mayra Aguiar venceu a sul-coreana Hyunji Yoon na categoria 78kg. Mayra já havia sido bronze nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, e do Rio de Janeiro, em 2016.
“A gente não consegue parar de chorar ainda. Não conseguimos nem medir a dimensão disso, é muito grande, é um orgulho”, diz a irmã, Hellen Aguiar, que estava ansiosa para falar com Mayra.
A atleta de Porto Alegre é a única brasileira a conquistar 3 medalhas olímpicas em esportes individuais.
Mayra Aguiar com a medalha de bronze
Sergio Perez/Reuters
Apoio da mãe
Natural de Porto Alegre, a atleta conta com o apoio diferente da mãe, Leila Aguiar, que deixa “bilhetinhos” para a filha.
Com a pandemia e a impossibilidade de acompanhar a filha nos locais, a mãe agora envia as mensagens por aplicativo, sempre com mensagens que tranquilizam a judoca. Veja vídeo acima.
“Eu colocava bilhetinhos dentro da mochila, da mala dela. E agora eu estou mandando bilhetinho virtual. Como era quando ela era criança e tinha uma luta no outro dia. Era sempre: ‘está tranquilo, tudo bem, vai dormir que amanhã a gente vê como vai ser’. Para deixar mais tranquila”, conta Leila.
Mãe de Mayra Aguiar fala de ‘bilhetinhos’ de apoio à judoca
O último recado foi enviado na manhã desta quarta (28, horário de Brasília). A próxima conversa entre mãe e filha deve ocorrer após as lutas.
Na avaliação de dona Leila, cada luta de Mayra é uma “consequência do que ela treinou e do que vem fazendo durante a vida inteira”.
Na disputa, a mãe cita preocupação com a recuperação da cirurgia pela qual a atleta passou recentemente. Foi o sétimo procedimento na carreira, agora no joelho. Hellen, a irmã fisioterapeuta de Mayra, auxiliou na recuperação.
Leila e a filha judoca, Mayra Aguiar, que disputa as Olimpíadas de Tóquio
Arquivo pessoal
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