Em nota, VTCLog diz que imagens divulgadas pela CPI da Covid foram ‘maldosamente editadas’

Senadores apresentaram na sessão desta terça (31) fotos que, segundo eles, indicam que o motoboy Ivanildo da Silva, que prestava serviço para a VTCLog, realizou pagamentos em benefício de ex-diretor da saúde Roberto Dias. A empresa VTClog divulgou uma nota nesta terça-feira (31) em que afirma que imagens divulgadas pela CPI da Covid foram “maldosamente editadas”.
Senadores apresentaram nesta terça-feira (31) fotos que mostram o motoboy Ivanildo Gonçalves da Silva, que presta serviços para VTCLog, entrando em uma agência bancária em horários, dias e locais que constam em extratos de quitação de contas da empresa VTCLog. Segundo os parlamentares, as imagens indicam que o motoboy fez pagamentos em benefício de Roberto Ferreira Dias, ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde.
VÍDEO: CPI exibe imagem de motoboy pagando boletos de Roberto Dias
“O que as imagens maldosamente editadas não mostram é que o ex-diretor, assim como milhares de consumidores, é usuário dos serviços da VOETUR Turismo, empresa pertencente ao grupo”, diz a nota.
Ainda, segundo a empresa, Roberto Dias pagou pelos serviços ofertados pela VOETUR Turismo por “transferência eletrônica (portanto, rastreável)” e pagamentos “em espécie” e não recebeu “qualquer vantagem” por parte da Voetur.
“O ex-diretor EFETUOU pagamentos – e NÃO recebeu ou foi beneficiário em suas contas – de qualquer vantagem por parte da Voetur. Foram duas as formas de pagamento utilizadas pelo consumidor Roberto Dias: pagamentos dele para a empresa mediante transferência eletrônica (portanto, rastreável) e pagamentos dele para a empresa em espécie “, disse a empresa.
A VTClog afirmou ainda que ainda existem pagamentos em aberto, portanto Roberto Dias está inadimplente e as cobranças foram devidamente protestados, conforme comprovante.
“A Voetur é credora e não pagadora de qualquer recurso ao ex-diretor. Lamentamos a distorção e a precipitação no tratamento de dados tão sensíveis. A empresa reitera a correção de todos os seus atos e se reserva o direito de fazer a defesa técnica em profundidade nas esferas devidas”, afirma o texto.
Movimentações ‘atípicas’
A VTCLog entrou na mira da CPI após a denúncia de que houve um sobrepreço em um aditivo do contrato firmado entre a VTCLog e o Ministério da Saúde. Conforme revelado pelo Jornal Nacional, o Departamento de Logística da pasta aceitou pagar a empresa um valor 1.800% maior que o recomendado num parecer técnico.
A empresa atua no ramo de logística e foi contratada pelo Ministério da Saúde para realizar o recebimento, armazenagem e controle de estoque de medicamentos. Entre as principais atribuições do grupo durante a pandemia do coronavírus, está a distribuição vacinas contra a Covid em todo o território nacional.
O motoboy Ivanildo Gonçalves da Silva presta serviços para a VTCLog e passou a ser considerado uma “testemunha-chave” da CPI após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificar uma movimentação atípica da empresa no valor de R$ 117 milhões nos últimos dois anos. Desse total, o motoboy teria movimentado R$ 4,7 milhões, quase 5% do montante apontado pelo Coaf.
O órgão de controle ressaltou, no entanto, que não seria possível identificar o destinatário final das operações realizadas por Ivanildo.
O depoimento de Ivanildo estava previsto para esta terça, mas, na véspera, o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), garantiu ao motoboy o direito de não comparecer à comissão.
A comissão, então, marcou de última hora o depoimento de Andreia Lima, diretora da VTCLog, mas a executiva informou que não poderia comparecer nesta terça.
VÍDEOS: notícias sobre política