Contas públicas registram déficit de R$ 10,3 bilhões em julho, informa Banco Central

Resultado representa melhora na comparação com junho, quando déficit foi de R$ 65,5 bilhões. Segundo o BC, dívida pública somou R$ 6,79 trilhões no mês passado, ou 83,8% do PIB. O Banco Central informou nesta terça-feira (31) que as contas do setor público consolidado registraram déficit de R$ 10,283 bilhões em julho. O valor abrange governo, estados, municípios e estatais.
Isso significa que, no período, as despesas superaram a arrecadação impostos do setor público, que engloba o governo, estados, municípios e estatais. O cálculo não considera os juros da dívida pública.
O resultado divulgado nesta terça representa melhora em relação ao resultado de junho, quando o déficit foi de R$ 65,508 bilhões, e também em relação a julho de 2020, quando o déficit foi de R$ 81,071 bilhões. No ano passado, o rombo foi influenciado pelos gastos elevados com a pandemia da Covid-19.
De acordo com o Banco Central, em julho foram registrados os seguintes resultados:
governo federal: déficit de R$ 16,842 bilhões;
empresas estatais: déficit de R$ 786 milhões;
estados e municípios: superávit de R$ 7,345 bilhões.
Parcial do ano e meta fiscal
No acumulado dos sete primeiros meses deste ano, ainda segundo o BC, as contas públicas registraram um déficit primário de R$ 15,491 bilhões.
Com isso, houve melhora na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foi registrado um rombo fiscal (déficit primário) de R$ 483,773 bilhões.
Para este ano, o setor público está autorizado a registrar déficit primário de até R$ 250,89 bilhões.
Em todo o ano passado, por influência da pandemia de Covid-19, o resultado negativo bateu recorde ao somar R$ 702,9 bilhões.
Após despesas com juros
Quando se incorporam os juros da dívida pública na conta – no conceito conhecido no mercado como resultado nominal, utilizado para comparação internacional – houve déficit de R$ 55,403 bilhões nas contas do setor público em julho.
Já em 12 meses até julho deste ano, o resultado ficou negativo (déficit nominal) em R$ 558,189 bilhões, o equivalente a 6,88% do PIB – valor alto para economias emergentes.
Esse número é acompanhado com atenção pelas agências de classificação de risco para a definição da nota de crédito dos países, indicador levado em consideração por investidores.
O resultado nominal das contas do setor público sofre impacto do déficit primário elevado, das atuações do BC no câmbio, e dos juros básicos da economia (Selic) fixados pela instituição para conter a inflação. Atualmente, a Selic está em 5,25% ao ano.
Segundo o BC, as despesas com juros nominais somaram R$ 45,119 bilhões no mês passado. Em doze meses até julho, os gastos com juros somaram R$ 323,521 bilhões (3,99% do PIB).
Dívida x PIB
A dívida bruta do setor público brasileiro, indicador que também é acompanhado com atenção pelas agências de classificação de risco, recuou leve recuo em julho.
Em dezembro do ano passado, a dívida estava em 88,8% do PIB, somando R$ 6,61 trilhões. Em junho deste ano, atingiu 83,9% do PIB (valor revisado), o equivalente a R$ 6,72 trilhões.
Já em julho de 2021, a dívida bruta brasileira caiu para 83,8% do PIB (R$ 6,79 bilhões), informou o Banco Central.
A queda da dívida em julho, segundo o BC, está ligada ao crescimento do PIB nominal, enquanto as despesas com juros e o déficit primário atuaram em direção contrária (elevando o endividamento).
Neste mês, o ministro da Economia, Paulo Guedes, estimou que a dívida bruta brasileira pode fechar este ano em cerca de 81% do PIB. Mesmo assim, esse patamar estaria acima da média dos demais países emergentes, ao redor de 65% do PIB.