Com taxa extra de R$ 14,20 na conta de luz, governo tenta evitar desgaste político ainda maior


Com a nova bandeira tarifária de R$ 14,20 anunciada nesta terça-feira, o governo faz um esforço para isolar o aumento na conta de luz a uma circunstância — a crise hídrica — e tenta se poupar politicamente do desgaste de mais uma notícia ruim para os consumidores.
O valor da nova taxa de escassez hídrica — que passa a vigorar a partir desta quarta-feira (1º) — é 50% maior que a mais elevada taxa (R$ 9,49) em vigor até hoje, a da bandeira vermelha patamar 2.
Governo cria bandeira tarifária mais cara
O anúncio desta terça-feira é de que a nova taxa extra será cobrada até abril do próximo ano. O valor é necessário para cobrir os gastos extras com o acionamento de termelétricas, devido ao baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas, motivado pela escassez de chuvas.
A taxa extra na conta de luz foi debatida na última semana no Palácio do Planalto. A discussão girou em torno do reajuste do patamar mais alto da conta de luz, a bandeira vermelha 2, que já havia sofrido alta em julho.

Economia G1
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), à qual cabe estabelecer os valores, defendia a elevação da taxa para R$ 19 por três meses. Técnicos do Ministério das Minas e Energia chegaram a sugerir R$ 24.
Presente à reunião, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, demonstrou preocupação com o peso do reajuste na inflação, já em alta.
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Devido ao impacto político da medida, ministros pediram um valor mais baixo, mesmo que por um prazo mais longo. O presidente Jair Bolsonaro queria uma proposta com o menor impacto possível para a imagem do governo. Com isso, o valor foi fechado em R$ 14,20.
Para não comprometer uma agência com autonomia no setor elétrico, a decisão foi de que o anúncio seria feito pela Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética (Creg), criada para gerir a crise hídrica e que reúne representantes de seis ministérios.
No setor elétrico, há a preocupação de que a nova taxa possa não ser suficiente para quitar as despesas das distribuidoras com a contratação de usina termelétricas, cujo custo de geração é maior que o das hidrelétricas.
O risco, segundo especialistas ouvidos pelo blog, é que a vigência da taxa tenha de se estender ao longo do próximo ano ou que haja um reajuste ainda maior nas contas na data de aniversário dos contratos das distribuidoras.
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