‘Cada luta, uma emoção’, diz irmão de Maria Portela, judoca eliminada em luta polêmica nas Olimpíadas


Atleta da Sogipa foi eliminada na disputa na categoria 70kg, na madrugada desta quarta-feira (28). Família se reuniu em Santa Maria para torcer de longe. Maria Portela é derrotada na segunda luta após receber três punições
A judoca gaúcha Maria Portela, de 33 anos, competiu na categoria até 70kg, na madrugada desta quarta-feira (28) nas Olimpíadas de Tóquio e foi eliminada em uma luta polêmica.
“Ela se destaca, pois é ótima em relação a isso. Dá pra sentir a energia dela, que contagia a todos os colegas. Cada luta, uma emoção, uma energia”, diz o irmão Bruno.
Maria ainda integra o grupo que vai disputar a medalha por equipes no sábado (31). O Brasil é o quarto no ranking mundial, na categoria coletiva, conquistou medalhas de prata e bronze nos Mundiais de 2017 e 2018, e é o atual campeão Pan-Americano.
A atleta chega à terceira Olimpíada com uma segunda chance de medalha.
A mãe Sirlei e o irmão Bruno ao lado de Maria, no Grand Prix de Judô, em Canoas, em 2018
Arquivo Pessoal
Santa Maria Portela
A atleta da Sogipa nasceu em Júlio de Castilhos, mas cresceu e se formou como judoca em Santa Maria, na Região Central do RS. É lá que estão reunidos todos os irmãos e a mãe, Sirlei, para torcer por ela.
Bruno conta que, quando eram pequenos, disputavam competições juntos. Ela já se destacava e vencia todos os torneios.
Em uma ocasião, quando tinha 12 anos, ao ser perguntada por uma repórter de um jornal local qual o seu grande sonho, ela disse que seria conquistar uma medalha olímpica.
“Eu, por ser menor, não entendia o que aquilo significava e achava tudo tão distante. Até que, depois de muito esforço, está na sua terceira Olimpíada”, orgulha-se Bruno.
Pela primeira vez, Maria Portela terá de experimentar o isolamento e o contato apenas por telefone com os parentes, já que a pandemia impediu que viajasse com acompanhantes de fora do Comitê Olímpico Brasileiro (COB).
“Cada Olimpíada a nossa família aprende algo novo. Na primeira, era tudo novidade, estávamos tão empolgados quanto ignorantes do nosso papel em relação a isso. Na segunda, foi em casa. Fomos até o evento, foi mágico. Hoje, com tudo que tem acontecido com o planeta, além de estarmos longe, tivemos o cuidado para não cometer excessos em relação às mídias sociais. Isso pode atrapalhar a preparação como também incentivar”, afirma o irmão.
De qualquer maneira, a família deu um jeito próprio de incentivar a atleta. “Fizemos camisetas, preparamos e decoramos a casa, e a família está em oração também. Somente a família vai ficar reunida para vibrar com cada luta”, afirma Bruno.
Maria Portela é eliminada dos Jogos Olímpicos com possível erro de arbitragem
Sergio Perez / Reuters
Terceiro ciclo olímpico
O ciclo olímpico, aliás, foi bem aproveitado por Maria. A 10ª colocada no ranking mundial de sua categoria conquistou etapas importantes, como o Grand Slam de Ecaterimburgo, em 2018, e o World Masters de São Petersburgo, em 2017.
Antes de viajar ao Mundial, em Budapeste, em junho deste ano, ela passou por Santa Maria para uma última visita à família antes de se dedicar apenas ao esporte. Foi pouco tempo, mas valeu para fortalecer os laços e os afetos familiares.
“Hoje a Maria é uma veterana, tem muita experiência e está em uma ótima fase na carreira. Além de ter alcançado bons resultados nos últimos campeonatos, a performance técnica dela tem melhorado consistentemente”, opina o irmão.

Maria Portela em frente aos irmãos Aline, 38 anos, Bruno, 31, e Luiz, 36, ao fundo
Arquivo Pessoal
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