Bolsonaro fundou a República do Bafafá

Palavra “bafafá” define melhor o estilo do presidente de governar do que o termo “fake news”. Algumas palavras deveriam ser consideradas cláusulas pétreas de nossa língua. Bafafá é uma delas. Andava esquecido do vocábulo, quando tropecei na seguinte manchete: “Após bafafá, Neymar reaparece com modelo”. Deu-se o estalo! A palavra que negligenciei por décadas é a que melhor define o estilo Bolsonaro de governar. Estamos na República do Bafafá.
O que moveu Bolsonaro a tentar um golpe em 7 de Setembro? Um bafafá de que seu filho será preso pelo Alexandre de Moraes no inquérito das fake news. E isso tudo por quê? Porque Carlos Bolsonaro é suspeito de chefiar o gabinete do Bafafá do Ódio. Os adversários de seu pai são perseguidos por implacáveis bafafás, que não atingem apenas CPFs. O voto impresso foi uma das recentes vítimas do gabinete. Quando exigiram as provas da fraude, o presidente respondeu com todas as letras: a prova é um bafafá de que o eleitor aperta o número do Bolsonaro e o voto vai para o PT. O bafafá não dispensa a prova, ele é a prova, entendeu?
A palavra é tão mágica e poderosa que pode funcionar no sentido inverso. Pode destruir a prova. Por exemplo: procuradores desenharam e o Queiroz confessou que havia um esquema de rachadinha no gabinete do Flávio Bolsonaro. Mas o que a família garante? Que isso é o maior bafafá do Ministério Público. Pronto. Eis a prova bolsonarista.
Portanto, leitores, esse blog está renunciando formalmente ao termo fake news. Porque não cabe, no nosso vernáculo, a manchete: “Após fake news, Neymar reaparece com modelo”. Não combina, não é sonoro, não dá a dimensão da notícia como o bafafá. E fake news dá um toque sofisticado demais ao bolsonarismo. E antes que venham com o bafafá de que estou romantizando as fake news, informo: bafafá também é doloso. Bem-vindo à República do Bafafá.
PS – Um agradecimento ao colunista Leo Ferreira por me fazer resgatar o bafafá.