Bagé se prepara para a 20ª edição da Procissão de Ogum, evento que reúne devoção, cultura e inovação em uma das manifestações religiosas mais importantes da cidade. A procissão celebra Ogum, orixá da coragem, proteção e força, e oferece aos participantes uma experiência que vai além da espiritualidade, combinando tradição, cultura afro-brasileira e engajamento comunitário. Ao longo do artigo, exploramos os detalhes do evento, suas novidades e o impacto cultural que ele gera na cidade.
Organizada pela Associação Espiritualista de Umbanda de Bagé (AEUB), com coordenação do Centro de Umbanda Ogum da Praia, a procissão acontece anualmente e mantém a tradição viva há duas décadas. A abertura das atividades será no dia 9 de abril, com o recebimento da imagem de Ogum, momento simbólico que marca o início oficial das celebrações e reforça a ligação entre fiéis e espiritualidade. Este ato inicial também funciona como um convite à comunidade para participar de uma tradição que integra fé, cultura e história.
O ponto alto do evento será no dia 23 de abril, data dedicada a Ogum. A concentração acontece na Praça da Catedral às 20h, com saída prevista para 20h30, seguindo em direção à Praça de Desportos. O cortejo permite que os participantes vivenciem de forma coletiva a religiosidade e a cultura afro-brasileira, valorizando símbolos, cânticos e práticas que fortalecem a identidade local. Além disso, a procissão funciona como um elo entre gerações, transmitindo ensinamentos espirituais e culturais de forma viva e prática.
Uma inovação desta edição é a realização de uma carreata até o Santuário do Quebracho, onde será assentada a nova imagem de Ogum e inauguradas grutas em construção. A ampliação do espaço de devoção demonstra o compromisso da comunidade em preservar a tradição, oferecendo maior estrutura e conforto aos fiéis. Essa iniciativa também evidencia como tradições religiosas podem se adaptar às necessidades contemporâneas sem perder a essência espiritual.
A Procissão de Ogum vai além do caráter religioso e se configura como uma expressão cultural importante de Bagé. Ela promove integração social, fortalece laços comunitários e estimula o turismo religioso. O evento permite que pessoas de diferentes crenças conheçam a riqueza cultural e espiritual da Umbanda, valorizando o patrimônio imaterial da cidade. Ao reunir famílias, líderes religiosos e simpatizantes, a procissão se torna uma oportunidade de aprendizado, convivência e respeito à diversidade religiosa.
Historicamente, a Umbanda é uma religião que incorpora elementos de diferentes tradições, incluindo o catolicismo, o espiritismo e religiões africanas. Ogum, orixá da guerra, da proteção e do trabalho, é central nesse contexto, simbolizando coragem e determinação. A celebração em Bagé evidencia como essas tradições se mantêm vivas, adaptando-se às transformações sociais e urbanas sem perder seu caráter sagrado.
O impacto social do evento também merece destaque. A procissão contribui para o fortalecimento da identidade local, promove a visibilidade da cultura afro-brasileira e estimula ações comunitárias ligadas à fé e à cidadania. Ao integrar tradição e inovação, como a carreata e a construção das grutas, o evento mostra que é possível modernizar manifestações culturais mantendo sua autenticidade.
A expectativa para a 20ª edição é de grande mobilização, consolidando o evento como um dos mais importantes do calendário cultural de Bagé. A organização reforça que, apesar de ser um evento religioso, ele é aberto à comunidade, oferecendo uma experiência de conhecimento cultural e espiritual para todos. A procissão evidencia que fé, cultura e convivência social podem coexistir de maneira harmoniosa, tornando-se um símbolo de integração e respeito à diversidade.
Em termos culturais, a Procissão de Ogum também cumpre um papel educativo. Os rituais, músicas, cânticos e símbolos utilizados na procissão contribuem para a preservação da história afro-brasileira e ajudam a despertar interesse em tradições muitas vezes pouco compreendidas. A presença de crianças, jovens e adultos reforça o caráter intergeracional do evento, garantindo a continuidade da tradição e seu reconhecimento social.
A 20ª Procissão de Ogum em Bagé representa, portanto, uma fusão de fé, cultura e inovação. Mantendo viva a tradição da Umbanda, ela proporciona aos participantes experiências espirituais significativas, valoriza a história local e fortalece a comunidade. O evento reafirma que manifestações religiosas podem ser ao mesmo tempo conservadoras em essência e inovadoras em execução, servindo como exemplo de como tradição e modernidade podem caminhar lado a lado.
Autor: Diego Velázquez
