Após habeas corpus para motoboy, CPI segue com a VTCLog na mira

Um motoboy que teria sacado 4,7 milhões de reais de uma empresa que presta serviços para o Ministério da Saúde estava convocado para abrir os trabalhos da CPI da Pandemia nesta terça-feira, mas conseguiu na véspera uma liminar no STF, do ministro Nunes Marques, para poder faltar ao compromisso.

Mas a decisão não deve tirar a VTCLog dos holofotes da comissão. Diante do ato de Nunes Marques, classificado como “muito estranha” pela cúpula da CPI, o advogado da empresa foi procurado na noite desta segunda-feira para que a CEO, Andreia Lima, também convocada, comparecesse no lugar de Ivanlido Gonçalves da Silva. Segundo o presidente da comissão, Omar Aziz, o defensor informou que sua cliente ou o próprio motoboy iriam ao Senado nesta terça.

O trio que coordena os trabalhos do colegiado, composto também pelo vice-presidente, Randolfe Rodrigues, e pelo relator, Renan Calheiros, decidiu que vai recorrer da decisão de Nunes Marques que desobrigou Ivanildo de atender à convocação. Segundo o requerimento aprovado para sua ida à CPI, ele é um “aparente intermediário em esquemas duvidosos da empresa VTCLog”.

Com salário de aproximadamente 2 mil reais, ele foi o responsável por quase 5% da movimentação financeira atípica da operadora de logística nos últimos dois anos — 117 milhões de reais, segundo um relatório do Coaf. O motoboy teria sacado boa parte do dinheiro em espécie e na boca do caixa, o que levantou ainda mais suspeitas.

Na última sexta-feira, a VTCLog divulgou uma nota na qual se disse “vítimas de acusações vazias e irresponsáveis” e se colocou à disposição da CPI. E condenou a “a injusta exposição de nosso motoboy, que possui mais de 12 anos de empresa e que tão somente realiza seu trabalho de forma justa e honesta”. “Nossas movimentações financeiras são lícitas e devidamente justificadas. A documentação comprobatória está à disposição da CPI e do órgão de controle”, diz o comunicado.

A comissão também ouvirá, na quarta-feira, o advogado Marcos Tolentino, ligado ao deputado federal Ricardo Barros. O nome dele foi apontado com o verdadeiro dono da FIB Bank, que deu uma carta-fiança de 80 milhões de reais para a Precisa Medicamentos na negociação da compra da vacina indiana Covaxin.

Para encerrar as oitivas da semana, o ex-secretário de Saúde do Distrito Federal Francisco de Araújo Filho será interrogado na quinta. Preso na operação Falso Negativo, no ano passado, deverá ser questionado sobre o esquema de corrupção que teria sido montado na pasta para a compra de testes rápidos da Covid-19.