Secretário de Castro intercedeu em favor de assassino de PM

O Radar mostrou mais cedo que as conversas captadas durante encontros do secretário de Administração Penitenciária do Rio, Raphael Montenegro, com chefes da facção Comando Vermelho expuseram a relação próxima dos agentes públicos com os criminosos que eles mesmos deveriam combater.  

O subordinado do governador Cláudio Castro e dois de seus auxiliares mais próximos foram presos nesta terça por suspeita de colaborarem com a maior facção do Estado, que tem ramificações em outras regiões do país e até no exterior. O secretário foi exonerado. 

Montenegro foi flagrado em gravação negociando o retorno para o Rio de presos do CV atualmente custodiados no presídio federal de Catanduvas, no Paraná, o maior presídio de segurança máxima do país. 

Os “termos” desta negociação seriam os seguintes: os agentes públicos apoiariam a volta dos criminosos ao Estado desde que esses mesmos bandidos se comprometessem a ter um bom comportamento dentro das grades e também não incentivassem a guerra por territórios do lado de fora. Entre as pessoas abordadas está um dos chefes do CV no Rio, o Marcinho VP. 

Com base nessa política de “cooperação” entre poder público e criminosos, o secretário teria concedido alguns benefícios aos bandidos, segundo relata o desembargador Paulo Cesar Morais Espírito Santo na decisão em que ordena as prisões e buscas contra os investigados nesta terça. 

Um dos traficantes que Montenegro intercedeu em favor foi Rodrigo da Silva Rodrigues, conhecido como Tineném, liderança da favela do Caramujo, em Niterói. Ele foi condenado a 60 anos de prisão em 2017 pela morte do cabo da PM Emerson de Oliveira, baleado na cabeça numa operação na comunidade. 

No relatório em que a secretaria se diz favorável à volta do preso, hoje em presídio federal, para cumprir sua pena no Rio, Montenegro diz que “hoje não existem indícios de que (Tineném) exerça qualquer posição de liderança na facção criminosa”, apesar de relatório do MP-RJ e da Polícia Civil dizerem o justo contrário. 

Numa outra ação de “colaboração” com os presos, Montenegro permitiu, segundo relata o desembargador em seu pedido de prisão, que Wilton Carlos Rabello Quintanilha, conhecido como Abelha, recebesse bolo, refrigerante e salgadinhos em sua cela no dia do seu aniversário, o que não é permitido. 

Abelha foi o mesmo criminoso que, em julho, foi liberado da prisão por ordem de Montenegro, mesmo o secretário tendo sido avisado pela Polícia Civil que ele era alvo de um mandado de prisão emitido duas semanas antes. Na época, Montenegro alegou que o mandato ainda não estava visível no sistema que interliga a cadeia à Vara de Execuções Penais.

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