Rio Grande do Sul terá postos para testagem de coronavírus em caminhoneiros com destino à Argentina e ao Chile

Está previsto para o dia 31 de maio o início do processo de testagem de coronavírus em caminhoneiros que  circulam pelo Rio Grande do Sul transportando cargas rumo à Argentina e o Chile. Ambos os países exigem que os condutores brasileiros apresentem exames do tipo RT-PCR negativos para que os veículos possam cruzar as fronteiras.

Os pontos estratégicos serão instalados em municípios que fazem parte das rotas de viagem, como Canoas, Cachoeirinha, Osório, Caxias do Sul, Vacaria, Bento Gonçalves, São Marcos, Passo Fundo e Uruguaiana.

Com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Exército, a iniciativa está inserida no âmbito do projeto “Vigilância de Fronteiras”. Todos os insumos necessários aos testes (cotonetes de coleta nasal e faríngeo, bem como kits para o procedimento) serão oferecidos pelo Ministério da Saúde.

O profissional deverá portar um documento denominado MIC (“Manifesto Internacional de Cargas”), a fim de comprovar que cruzará a fronteira para outro país. Todo o material recolhido nos pontos de coleta será enviado para o Laboratório Central do Estado, em Porto Alegre.

Alvo de tratativas nas últimas semanas, a medida foi anunciada nesta sexta-feira (21) pela titular da Secretaria Estadual da Saúde (SES), Arita Bergmann, por meio de videoconferência. Ela também detalhou a estrutura disponibilizada para a implementação de pontos de coleta.

“Os municípios estão estruturados para fazer os testes nos transportadores de carga”, ressaltou. “Conseguimos alinhar e definir os pontos de coletas e com isso selamos o compromisso de iniciar os testes no dia 31 de maio.” Ainda segundo ela, a parceria com os postos da PRF e com o Exército é fundamental na logística de apoio: “Aproveitamos o potencial de todos porque unidos conseguimos resolver os problemas”.

No mês passado, a obrigatoriedade de apresentação do teste negativo para coronavírus chegou a motivar protestos de caminhoneiros brasileiros e argentinos na fronteira entre os dois países. O governo da Argentina chegou a suspender por algumas horas o ingresso de veículos oriundos do Brasil.

Ainda sem vacina

Contingente estimado em mais de 1,2 milhão de trabalhadores em todo o Brasil (conforme o Ministério da Saúde), os caminhoneiros são frequentemente expostos ao contágio por coronavírus. Dentre os motivos está a ampla circulação dos profissionais por diferentes regiões.

Não raro, eles descobrem na estrada que estão contaminados. Muitos deles não possuem dinheiro para se hospedar em hotéis de beira de estrada e acabam sem alternativa que não a de cumprir isolamento dentro da própria boleia do
veículo. Para piorar a situação, ainda não há previsão de quando a categoria começará a ser vacinada contra a covid.

(Marcello Campos)