Para o governador gaúcho Eduardo Leite, a realização de partidas da Copa América no Brasil seria “inoportuna e consequente”

Mesmo ainda sem confirmação oficial de que o Brasil sediará a Copa América de seleções de futebol, o governador Eduardo Leite se manifestou contra a hipótese de o Rio Grande do Sul receber partidas do evento, cancelado na Argentina por causa da pandemia de coronavírus. Seria “inoportuno e consequente”, frisou por meio de nota divulgada nesta segunda-feira (31).

Independente do local a ser realizado o evento (se isso ocorrer), as datas de início e término do torneio continental estão confirmadas: 13 de junho e 10 de julho.

“Recebemos os jogos [da competição continental] em 2019, o que muito nos orgulha, mas entendo que seria inoportuno realizar a competição no Estado e no Brasil neste momento”, ressalta um trecho do texto. “Precisamos concentrar esforços no enfrentamento à pandemia e, nesse contexto, é inadequado que a competição ocorra aqui, mesmo sem público nos estádios.

“O mundo infelizmente tem visto uma disseminação de novas variantes do coronavírus, e ampliar a circulação, com possíveis aglomerações e elevado trânsito de pessoas poderia ampliar o contágio”, prossegue. O chefe do Executivo disse não ter sido procurado pela CBF ou pela Conmebol (as confederações de futebol do País e da América do Sul, respectivamente) para tratar do assunto.

“Caso o Estado receba algum tipo de contato nesse sentido, vamos levar o assunto para discussão com os outros Poderes e entidades que representam a sociedade gaúcha”, continua. “Anteriormente, fizemos a liberação do futebol no Estado por conta da relevância da atividade, que interfere na economia por meio dos clubes locais, das mais variadas divisões, que precisam cumprir o calendário esportivo.”

Por fim, Eduardo Leite avalia que realizar o evento complicaria uma situação que já não está fácil: “Fizemos a liberação do futebol no Estado por conta da relevância da atividade, que interfere na economia por meio dos clubes locais, das mais variadas divisões, que precisam cumprir o calendário esportivo. Mas fazer a Copa América no Brasil agora seria acrescentar um problema ao País”.

Prefeitura

Já o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, admitiu ter iniciado tratativas com o presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), Luciano Hocsman – este teria consultado o chefe do Executivo municipal a respeito dessa possibilidade.

“O dirigente fez um gesto perguntando se a prefeitura seria parceira da ideia”, relatou. “Eu disse que era preciso construir com prefeitura, governo do Estado e, evidentemente, com a sociedade. Foi uma conversa preliminar, uma troca de mensagens. Não há nada concreto ainda. Trata-se de uma manifestação inicial.”

Entenda

Na manhã desta segunda-feira, a Conmebol informou a alteração do país-sede, com a escolha do Brasil para receber o torneio pela segunda vez consecutiva. A Copa América seria, inicialmente, na Colômbia e na Argentina. A última edição ocorreu em 2019, com a Arena do Grêmio, em Porto Alegre, como uma das sedes.

Mas o ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, fez a ressalva de que ainda não há confirmação de que o Brasil sediará a edição deste ano da Copa América de futebol.

O anúncio de que o Brasil foi escolhido como sede da competição havia sido feito mais cedo, pela Conmebol. A entidade chegou a agradecer o presidente Jair Bolsonaro por “abrir as portas” do País. A competição seria na Argentina, mas foi cancelada em razão do avanço da Covid.

“Ainda não tem nada certo, quero pontuar de forma bem clara. Estamos no meio do processo. Mas não vamos nos furtar a uma demanda, caso seja possível atender”, declarou Ramos em entrevista no Palácio do Planalto.
Segundo o ministro da Casa Civil, a decisão deve ser anunciada nesta terça (1º).

Logo após o anúncio da Conmebol, especialistas em saúde criticaram a escolha do Brasil em razão da pandemia. O país soma mais de 462 mil mortes por Covid, além de 16,5 milhões de casos confirmados da doença.

Sem citar nomes, Ramos disse não entender por que algumas pessoas criticaram a escolha do Brasil como sede da Copa América, uma vez que estão em andamento o Campeonato Brasileiro e a Taça Libertadores, além dos campeonatos estaduais, que acabaram na semana passada.

Na avaliação de Luiz Eduardo Ramos, a situação do Brasil é “difícil” com a pandemia, mas o governo federal incluiu como condição para receber o evento todos os integrantes das delegações estarem vacinados.

(Marcello Campos)