O Rio Grande do Sul já aplicou quase 2 milhões e 600 mil doses de vacina contra o coronavírus

Dados da plataforma de monitoramento da Secretaria Estadual da Saúde (SES) apontam que até o fim da tarde desta quinta-feira (22) o Rio Grande do Sul mais de 2,58 milhões de vacinas contra o coronavírus. A estatística inclui 1,99 milhão de aplicações em primeira dose (39,2% dos grupos prioritários) e outras 586,8 mil (11,5%) em segunda injeção.

Desde o início da campanha no Estado, em 19 de janeiro, a campanha de imunização tem contemplado como público-alvo profissionais de saúde, idosos, pessoas com deficiência, internos de instituições de acolhimento, profissionais das forças de segurança e salvamento, moradores de comunidades indígenas e quilombolas, dentre outros.

A diferença entre esses quase 2,6 milhões de procedimentos e as mais de 3,6 milhões de doses recebidas pelo governo gaúcho em mais de três meses de vacinação se explica pela orientação de autoridades e especialistas para que sejam reservadas ampolas para a segunda aplicação. Essa diretriz vale para ambos os imunizantes em uso no País.

Aspecto que se repete em outros Estados, a Coronavac (produzida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria no Brasil com o Instituto Butantan-SP) predomina amplamente em número de aplicações aos gaúchos, com 74,%. O imunizante de Oxford (elaborado pelo laboratório britânico Astrazeneca em colaboração no Pais com a Fundação Oswaldo Cruz-RJ) responde pelos 25,3% restantes.

Para a manhã desta sexta-feira (23), está prevista a chegada de uma nova remessa de imunizantes do Ministério da Saúde, contendo mais de 242 mil unidades: 50,2 mil da Coronavac e 192 mil de Oxford.

Segurança

Nos últimos dias, agentes de vacinação que atuam na campanha em Porto Alegre têm observado um contingente cada vez maior de pessoas que se recusam a receber o imunobiológico de Oxford. As negativas apontam para argumentos que a prefeitura faz questão de rebater:

– “Prefiro receber a Coronavac, cujo intervalo entre as duas doses é menor”. De fato, a vacina chinesa tem um prazo mínimo recomendável de 28 dias, ao passo que a britânica exige 12 semanas, mas esta última compensa por proporcionar uma eficácia geral de aproximadamente 70%, contra 50,4% de sua congênere. E já com a primeira dose o indivíduo conta com um bom grau de proteção contra sintomas graves em caso de contágio por coronavírus;

– “O imunizante de Oxford pode causar coágulos, conforme vi no noticiário”. Sobre isso, é importante esclarecer que os casos de efeitos adversos graves são bastante raros. A própria capital gaúcha já aplicou mais de 50 mil doses da Astrazeneca, sem que haja registro de problemas mais severos. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, em 10% dos casos há registros de reações leves, comuns a outros imunizantes, como dor de cabeça ou no local da aplicação, que desparecem em 24 horas.

A diretora-adjunta da Vigilância em Saúde de Porto Alegre, Fernanda Fernandes, destaca a importância de as pessoas serem vacinadas e completarem o esquema de duas doses, seja da Coronavac ou da Oxford: “Trata-se de uma medida tanto de proteção individual quanto de saúde pública. Quanto mais pessoas forem imunizadas, maior será a proteção da coletividade”.

(Marcello Campos)