O mercado de trabalho do Rio Grande do Sul apresentou recuperação parcial no último trimestre de 2020

Após nove meses de números negativos, em meio aos impactos da pandemia de coronavírus, o mercado de trabalho reagiu entre outubro e dezembro do ano passado no Rio Grande do Sul, com recuperação parcial em alguns de seus principais indicadores, na comparação com o trimestre anterior. A informação consta em boletim divulgado nesta quarta-feira (14) pelo governo do Estado.

De acordo com o Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), a taxa de desemprego no Estado caiu de 10,3% para 8,4% no quarto trimestre, o que corresponde a uma queda de 98 mil pessoas no contingente de desempregados.

O movimento coincide com a recuperação no período na (Taxa de Participação na Força de Trabalho (TPFT), que indica a porcentagem de pessoas em idade de trabalhar (14 anos ou mais) que estão empregadas ou em busca de trabalho, e também no Nível de Ocupação, que é o índice de pessoas ocupadas em relação às pessoas em idade de trabalhar.

As informações têm por base os indicadores da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados também mostram que no quarto trimestre do ano passado a TPFT chegou a 58,6%, contra 57,5% do trimestre anterior, e o Nível de Ocupação passou de 51,5% para 53,7%.

Na avaliação do pesquisador Raul Bastos, responsável pela primeira seção do relatório, a pandemia influenciou de forma decisiva os índices, uma vez que no período mais crítico de 2020, entre o segundo e o terceiro trimestres, muitas pessoas desistiram de procurar trabalho, ou seja, deixaram a força de trabalho:

“Se, em um exercício simples de simulação, utilizássemos os níveis da TPFT de 2019, a taxa de desocupação no quarto trimestre do ano passado seria de 16,9% em vez de 8,4%”.

Quando a comparação dos índices apresentados no Boletim de Trabalho é feita com igual período do ano anterior, os patamares ainda ficaram desfavoráveis aos verificados no quarto trimestre de 2019. A TPFT registrou queda de 6 pontos percentuais (64,6% para 58,6%), o nível de ocupação passou de 60% para 53,7% e a Taxa de Desemprego subiu de 7,1% para 8,4%.

Pandemia

O documento também traz dados sobre os ocupados por posição e categorias do emprego durante a pandemia de Covid-19 em 2020. Ao todo, o número de ocupados registrou uma redução de 506 mil pessoas no Rio Grande do Sul na comparação do quarto trimestre de 2020 com o mesmo período do ano anterior.

As maiores perdas no ano passado ocorreram nas modalidades mais vulneráveis do mercado de trabalho, como os empregados sem carteira no setor privado (-28,3%), trabalhadores domésticos sem carteira (-17,4%), trabalhadores por conta própria sem CNPJ (-11,9%) e os empregadores sem CNPJ (-46,5%).

Quanto ao rendimento das pessoas ocupadas, o valor médio permaneceu praticamente estável entre o quarto trimestre de 2019 e o mesmo período de 2020 (R$ 2.598 contra R$ 2.636). A maior queda percentual nos rendimentos foi registrada para os empregadores sem CNPJ (-26,2%), enquanto a maior variação positiva ficou com os empregados sem carteira do setor privado (+25,7%).

(Marcello Campos)