Nova rodada do Auxílio Emergencial deve ter reflexos positivos no comércio gaúcho, aponta a FCDL-RS

A nova rodada do Auxílio Emergencial, com o pagamento de mais quatro parcelas a partir deste mês, serve como um paliativo para compensar as perdas gigantescas que boa parte da população brasileira enfrenta desde março de 2020 por causa da pandemia de coronavírus, avalia a FCDL-RS (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul).

“Como a pandemia não arrefeceu, as equivocadas restrições aos setores produtivos foram mantidas e até ampliadas, o que contribui para aumentar os indicadores de desemprego e da não criação de novos postos de trabalho. Como a tão esperada renda para milhões de famílias não está sendo originada no trabalho, depender desse Auxílio Emergencial é, para muitos, a única opção de sobrevivência contra a pobreza e a miséria”, destacou o presidente da entidade, Vitor Augusto Koch.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE, por exemplo, mostram que na Região Metropolitana de Porto Alegre a renda domiciliar per capita dos 40% mais pobres da população teria caído 34,6% entre 2019 e agosto de 2020, caso não existisse o Auxílio Emergencial. Com o benefício, no entanto, essa queda foi bem menor, de 9,6%.

Conforme a federação, não é de se esperar que o Auxílio Emergencial traga reflexos expressivos para setores como o comércio, por exemplo, mas deve beneficiar o varejo gaúcho. Não se pode prever que, com o montante concedido pelo governo federal, as famílias mais carentes terão poder de compra para buscarem produtos que não lhes garanta a sobrevivência, como alimentos e medicamentos. Inclusive, porque existe, neste ano, uma redução no total de pessoas que terão direito ao benefício. Eram mais de 68 milhões em 2020 e, em 2021, serão cerca de 46 milhões de beneficiários. No Rio Grande do Sul, devem ser beneficiadas cerca de 1,7 milhão de pessoas.

“Devemos considerar que, em 2020, foram disponibilizados quase R$ 300 bilhões através do Auxílio Emergencial em todo o País, sendo que aproximadamente 35% desse total foi utilizado pela população em compras no comércio brasileiro. Como neste ano o recurso é muito menor, não apenas nos valores das parcelas, mas no montante disponibilizado, cerca de R$ 45 bilhões, é possível que entre 25% e 30% desse total seja destinado ao consumo varejista, cerca de R$ 11 bilhões em todo o País, bem aquém dos R$ 103 bilhões que foram dirigidos ao setor no último ano. Para o comércio do RS, a expectativa gira em torno de R$ 450 milhões”, informou a FCDL-RS.

“Claro que, para o comércio, a possibilidade de ser contemplado com parte deste recurso pode fazer a diferença para muitos empreendimentos, especialmente as lojas de micro e pequeno porte. Aliás, os pequenos negócios do varejo enfrentam um momento de extrema fragilidade, não tendo quase nenhum acesso a recursos governamentais que garanta a sua sobrevivência. Neste cenário, o poder de consumo da população mais vulnerável, sendo acrescido do Auxílio Emergencial, ajuda a dar um pequeno alento à pequena loja de rua, ao pequeno mercado, ao pequeno bazar. Por isso, a campanha que a FCDL-RS promove, de incentivar as compras das empresas locais de cada município, é extremamente importante”, enfatizou Koch.

Segundo ele, expectativa para que aconteça a reversão desse cenário passa, necessariamente, pela ampliação da cobertura vacinal, pelo arrefecimento da pandemia, com a consequente retomada econômica do Rio Grande do Sul e do Brasil.