Médico porto-alegrense acusado de assédio ficará detido mais duas semanas no Egito

Acusado de assédio sexual a uma mulher durante viagem ao Egito, o médico e influenciador digital porto-alegrense Victor Sorrentino, 40 anos, ficará detido no Egito por mais 15 dias, até a realização de nova audiência. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (2) pelas autoridades do país norte-africano de orientação islâmica. Ele recebeu voz-de-prisão no último domingo.

O turista permanecerá retido em uma delegacia de Polícia, sem acesso ao celular e sem a privacidade do hotel onde estava hospedado – até mesmo uma simples ida ao banheiro só pode ser feita sob custódia de um agente. Informações extraoficiais indicam que Sorrentino estaria acuado e emocionalmente abalado pela situação.

Fontes ligadas ao caso acreditavam em uma possível soltura nesta quarta-feira, hipótese que acabou frustrada. Conforme o Ministério Público no Cairo, capital egípcia, o médico ofendeu a honra da balconista de uma loja de papiros na cidade de Luxor ao se dirigir a ela com expressões sexistas de duplo sentido, aproveitando-se do fato de ela não entender o idioma português.

O próprio médico registrou a situação em vídeo e divulgou o material nas redes sociais, fornecendo provas à promotoria local sobre o seu comportamento. Para piorar a situação, há forte pressão de grupos feministas do país, a vítima não retirou queixa e o processo inclui acusação de ofensa não só à vendedora, como também a todo povo islâmico.

Na terça-feira, o Ministério Público egípcio já havia informado por meio de postagem no Twitter a prorrogação da prisão de Victor Sorrentino por mais quatro dias. A advogada Amanda Bernardes, que atua na defesa do gaúcho, declarou na ocasião que ainda não tinha informações sobre o caso, mas a irmã dele e assessora de comunicação, Patrícia Sorrentino, adiantou que haveria uma audiência nesta quarta.

Relembre o caso

Na semana passada, Victor Sorrentino postou na rede social Instagram um vídeo no qual aparece com outro homem, gravando cenas em que dirige palavras em português a uma jovem vendedora local: “Elas gostam é do bem duro. Comprido também fica legal, né?”. Sem entender as expressões jocosas, a mulher apenas sorri.

O vídeo foi posteriormente apagado da conta do perfil do médico, que também costuma compartilhar conteúdos de apoio ao governo do presidente Jair Bolsonaro e tem cerca de 1 milhão de seguidores. Após a repercussão negativa do episódio, ele postou nova mensagem, com pedido de desculpas e o argumento de que tudo não havia passado de uma “brincadeira”.

Ele também restringiu a seguidores o acesso à página, que antes era pública, e publicou um vídeo dizendo que “não suportar injustiça, pessoas que não te conhecem falando de ti”. Já a página oficial do gaúcho está fora do ar, com o seguinte aviso: “Desculpe pela inconveniência. Nosso site está passando por manutenção programada. Obrigado por sua compreensão”.

Tratativas diplomáticas

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, por meio da Embaixada no Egito, informou que está prestando assistência a Miguel Sorrentino. “O Itamaraty já foi informado sobre o caso e as autoridades brasileiras no Egito estão prestando assistência consular cabível ao cidadão”, frisou o órgão.

A esposa e a empresária Kamila Monteiro, com quem o médico tem um filho, chegou a publicar em rede social um texto em defesa do marido. Segundo ela, “o mundo está complexo e as pessoas veem maldade em absolutamente tudo”.

(Marcello Campos)