Manutenção dos cuidados com a pandemia pode permitir retomada dos atendimentos não covid no Hospital de Clínicas de Porto Alegre

O Hospital de Clínicas de Porto Alegre é responsável por 197 leitos críticos, 135 criados no último ano dedicados à covid e 62 pré-existentes destinados a todas às demais necessidades, que, neste momento, apresenta ocupação geral acima de 95%. Para se chegar a estes números uma ampla reorganização interna foi necessária, que se traduz também na alocação de recursos físicos e humanos de outras áreas do hospital, resultando na diminuição de atividades assistenciais, como cirurgias e consultas ambulatoriais.

Com um cenário similar ao da normalidade ainda distante, a instituição reforça a importância das medidas de contenção à covid para viabilizar, paulatinamente, uma nova retomada dos demais atendimentos. Para conseguir triplicar o número de leitos críticos em um ano, a sala de recuperação do bloco cirúrgico, por exemplo, foi transformada em CTI pós covid e profissionais de diversas áreas foram remanejados para auxiliar nas demandas de outros setores, como a Emergência.

Permitir o retorno dessas equipes e espaços para suas funções habituais é fundamental para que os demais procedimentos possam ocorrer. Para isso, o número de pacientes necessitando de atendimentos de Emergência e CTI Covid precisa diminuir de maneira significativa e sustentada.

Esforços para harmonizar atendimentos covid e não covid são feitos diuturnamente, porém há um limite na capacidade dos trabalhadores, que já enfrentam jornadas bem mais extenuantes do que o normal há muitos meses, bem como de equipamentos e insumos.

Neste momento de maior crise, ainda com um número muito alto de casos covid no município de Porto Alegre, o centro cirúrgico do HCPA opera com cerca de 40% de sua capacidade, o que ocasiona uma espera maior para os pacientes que aguardam por suas cirurgias. “Há um grande esforço institucional para manter os procedimentos eletivos essenciais, em especial os oncológicos, mas em um aspecto mais amplo, a permanência por longo prazo da pandemia, em boa parte do tempo em patamares altos de ocupação, gera represamento e aumenta a complexidade dos casos, o que é bastante preocupante”, explica o professor  Brasil Silva Neto, adjunto cirúrgico da Diretoria Médica do Clínicas.

Nos ambulatórios, a estratégia de implantação das teleconsultas, seja por vídeo ou telefone,  mostrou-se fundamental. Desde o início da pandemia 75 mil consultas remotas,  incluindo 17 mil monitoramentos de pacientes com covid, já ocorreram. Porém, por maior que seja o empenho em encontrar soluções, ainda é necessário que a pandemia arrefeça verdadeiramente para que se estabeleça a plenitude dos serviços prestados.

Para isso, é indispensável que a sociedade mantenha os cuidados, de maneira que ocorra uma diminuição consistente e duradoura na pressão sobre o sistema hospitalar. A vacinação precisa avançar muito ainda. Evitar encontros presenciais que não sejam absolutamente necessários, reduzir a circulação na cidade, usar máscaras sempre e higienizar as mãos são medidas imprescindíveis para a redução da transmissão do vírus e, portanto, de novos casos. Assim, poderá ser implementada uma retomada robusta na assistência de pacientes por outras causas.