Mais de 30% das doses da Coronavac entregues aos municípios gaúchos para a segunda dose ainda não tiveram aplicação confirmada

Dados apurados com base no Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (Sipni) mostram que ainda faltam aplicar (ou registrar o procedimento) 538.755 das 1.650.580 unidades de vacina Coronavac distribuídas pelo governo do Rio Grande do Sul aos municípios para a segunda dose. Essa proporção é de aproximadamente 30%.

De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde (SES), os dados informados pelas prefeituras por meio do Sipni  têm sido monitorados, a fim de avaliar medidas que possibilitem apoiar autoridades locais a zerarem os atrasos no procedimento e completarem o ciclo imunizatório.

A partir da análise dos registros, será possível avaliar faltas pontuais e planejar, se for o caso, o remanejamento de saldos entre municípios.

Desde o início da campanha de vacinação da Covid-19 no RS, em janeiro de 2021, a SES distribuiu 1.647.470 doses da Coronavac aos municípios gaúchos para aplicação da primeira dose em grupos prioritários, seguindo a ordem estabelecida pelo Plano Nacional de Imunizações (PNI) e conforme pactuações entre Estado e municípios (municípios representados pelo Conselho das Secretarias Municipais de Saúde, o Cosems).

Todas as pactuações estão registradas nas resoluções da Comissão Intergestores Bipartite (CIB). Matematicamente, portanto, o Estado distribuiu doses suficientes para completar o esquema vacinal de todos os gaúchos imunizados com a primeira dose da Coronavac.

“Conforme os municípios forem vacinando e registrando, vamos continuar acompanhando para entender a situação de cada local e atuar em conjunto com os gestores na busca de soluções. Se preciso, vamos recorrer ao Ministério da Saúde para completar eventuais faltas de doses. O importante é que o esquema vacinal dos gaúchos se complete para que possamos avançar na superação da pandemia”, afirma a secretária da Saúde, Arita Bergmann.

“Só vamos conseguir ter exatidão sobre as possíveis dificuldades após os municípios aplicarem todo o quantitativo que enviamos e registrarem no sistema”, explica Ana Costa, diretora de Atenção Primária e Políticas de Saúde da SES. Ela acrescenta que:

“Dentre as hipóteses para os problemas alegados pelos municípios, podem estar desde falhas nos registros até migrações entre municípios, ou seja, pessoas que tomaram a primeira dose em um lugar e agora precisam tomar a D2 em outro, além de algum possível equívoco de uso da D2 como primeira dose”.

Atualização

A estatística foi divulgada no site oficial estado.rs.gov.br por volta das 15h30min desta quinta-feira (21), quando ainda faltavam quase quatro horas para o encerramento do expediente nos postos de saúde, drive-thrus e demais espaços disponibilizados para a imunização em todas as 497 cidades gaúchas. Portanto, é possível que os atrasos e defasagem tenham caído.

Às 21h, já com os dados integralizados, o portal de monitoramento da Secretaria Estadual da Saúde informava que mais de 2,84 milhões de habitantes do Rio Grande do Sul já receberam a primeira dose (Coronavac, Oxford ou Pfizer), o que representa 54,2% dos segmentos-alvo da campanha de imunização (5,2 milhões de habitantes, para uma população geral de 11,3 milhões). Os contemplados com a segunda injeção, por sua vez, chegam a 1,24 milhão (23,7%).

(Marcello Campos)