Fevereiro foi o mês com maior número médio diário de mortes desde o início da pandemia do coronavírus no Rio Grande do Sul

No último dia de fevereiro, por exemplo, a média móvel de falecimentos diários foi quase 110% maior em comparação com a primeira semana do mês. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

De acordo com dados da Secretaria Estadual da Saúde (SES), o índice elevado de mortes pelo coronavírus na segunda quinzena de fevereiro foi suficiente para tornar o mês o com maior número médio diário de óbitos no Estado  desde o início da pandemia.

No último dia de fevereiro, por exemplo, a média móvel de falecimentos diários foi quase 110% maior em comparação com a primeira semana do mês. Na ocasião foram registradas, em média, 93,6 mortes por dia. Em relação à semana anterior, o avanço foi de 50%.

Assim, como no País, no Rio Grande do Sul, fevereiro foi o segundo mês mais letal de toda pandemia, com 1.741 mortes. Em janeiro, foram 1.740 mil registros e, em dezembro, 2 mil.

Novas restrições

O governador gaúcho, Eduardo Leite, decidiu estender as vigências das regras da bandeira preta em toda região do Estado até o dia 21 de março. Também ficou decidido que o modelo de cogestão do plano do Distanciamento Controlado continua suspenso. Desse modo, todos os municípios gaúchos devem seguir as regras da bandeira preta. O anúncio foi feito em uma live realizada no final da tarde dessa sexta-feira (5) nas redes oficias do governo.

Leite projetou o retorno do modelo de cogestão no dia 22 de março, mas com protocolos de bandeira vermelha mais rigorosos. A ideia é que se tenha uma perspectiva de saída e assim, os protocolos sejam cumpridos. Também foi vedado o banho de mar, rios e lagoas. “A ideia é evitar as aglomerações”, disse. Em pergunta realizada na coletiva, ele explicou que as vedações não impedem corridas e caminhadas, por exemplo, nas faixas de praia e na orla do Guaíba, em Porto Alegre. O governador também disse que não adotará o lockdown (fechamento total), por ser uma medida discutível sob o ponto de vista do direito de ir e vir.

Outros pontos do anúncio são a proibição da comercialização de itens não essenciais em supermercados a partir de segunda-feira (8). “Não é apenas uma questão de concorrência, é também uma forma de reduzir as aglomerações no supermercados. Eles estão abertos pela essencialidade dos produtos que vendem e por isso eles precisam seguir abertos, mas os itens não essenciais não devem ser vendidos, somente por tele-entrega”, explicou Leite.

Já a suspensão das atividades após às 20h será mantida até 31 de março. O governador também determinou à Secretaria da Fazenda que estude os impactos econômicos nas empresas e ajude no que for possível.

Brasil

O Brasil registrou, em fevereiro, 30.484 mortes pela covid-19, segundo dados apurados pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias de Saúde do País. Mesmo com dias a menos e últimos dias durante um fim de semana – o que afeta os registros das mortes –, fevereiro teve o segundo número mais alto de óbitos desde o início da pandemia, e o maior desde julho.

Fevereiro também foi o terceiro mês consecutivo em que os falecimentos de um mês superam as do mês anterior.

Três Estados tiveram recordes de mortes: Minas Gerais e Rondônia, pelo segundo mês seguido, e Roraima, que ultrapassou os registros de mortes vistos em julho. O colapso no sistema de saúde, antes restrito ao Amazonas, agora atinge várias partes do País.

O dado referente às mortes de fevereiro foi calculado subtraindo-se as mortes totais até janeiro (224.534) do total de mortes até o último dia do mês (255.018). Os números dos meses anteriores foram determinados com a mesma metodologia.

Colapso

Vários Estados viram o colapso de seus sistemas de saúde, tanto público quanto privado. Esse cenário já havia sido previsto por especialistas em janeiro, quando acabou o oxigênio de hospitais de Manaus e pacientes morreram asfixiados.

A avaliação de médicos, epidemiologistas e outros cientistas era de que o colapso visto no Amazonas se repetiria no resto do País por diversos motivos: as festividades de fim de ano, a variante mais contagiosa e a baixa adesão às medidas restritivas.

Alguns afirmaram que a situação ainda pode piorar em março, por causa das aglomerações e viagens de carnaval — cujos reflexos devem ser sentidos de forma mais intensa em meados do mês.

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