Empreendimentos gaúchos da chamada “economia criativa” terão linha especial de financiamento do BRDE

Responsável por cerca de 130 mil empregos formais antes da chegada da pandemia de coronavírus, as empresas da economia criativa no Rio Grande do Sul terão uma linha especial de financiamento pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Para quem não está familiarizado à expressão, trata-se de um conjunto de negócios baseados no capital intelectual, cultural e inovador para gerar valor econômico.

“O segmento criativo estimula a geração de renda, cria empregos e produz receitas de exportação, enquanto promove a diversidade cultural e o desenvolvimento humano”, ressalta o site oficial do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Esse conceito é amplo e pode abranger os mais variados empreendimentos. Um comerciante que utiliza aplicativo de celular para entregar bergamotas fresquinhas diretamente ao consumidor é um exemplo, assim como uma editora especializado em levantar fundos, por meio de “vaquinhas virtuais”, para a publicação de livros.

O anúncio da oferta de crédito para o setor, que terá taxas de juros entre as mais baixas do mercado, foi realizado na manhã desta quinta-feira (14), em evento na sede do banco, com as presenças do governador Eduardo Leite e da diretora-presidente do banco de fomento, Leany Lemos.

A linha de financiamento está no âmbito do programa “Recupera Sul”, lançado pelo banco no ano passado para socorrer os setores mais afetados pela pandemia. Além de crédito para capital de giro das empresas e a possibilidade de oferta para investimento no pós-pandemia, com prazos diferenciados e análise de acordo com a demanda, a linha do BRDE para a economia criativa vem acompanhada de uma nova diretriz.

“Vamos oferecer treinamento e orientações para acessar o crédito, ajudando no planejamento e na organização das empresas”, destacou Leany. Além desse suporte, o banco se compromete a simplificar a análise dos pedidos, com a elaboração de um relatório específico e sucinto para o setor. Os recursos para a linha de financiamento têm origem de ‘fundings’ captados pelo banco e recursos próprios.

“Diante da importância cada vez maior da economia criativa na geração de empregos, renda e inovação, o BRDE considera importante essa ação, em especial neste momento crítico que todos seguimos vivendo com a Covid-19”, enfatizou Leany.

No período de abril a dezembro de 2020, o banco concretizou 223 operações de crédito no programa Recupera Sul, considerando somente os financiamentos de valores inferiores ao usualmente praticado, entre R$ 50 mil e R$ 200 mil, chegando ao total de R$ 40 milhões. No âmbito da economia criativa, foram já realizadas 60 operações de crédito no volume de R$ 7,6 milhões, com valor médio de R$ 127 mil.

Com a palavra, o governador

“Sabendo do impacto econômico, do potencial em geração de emprego e da forte conexão com os novos tempos, o incentivo à economia criativa já estava no nosso planejamento de governo”, ressaltou o governador. “Diante do grave quadro sanitário, que impactou fortemente o setor, buscamos construir soluções.”

Ele acrescentou: “Já temos uma carteira de opções bastante expressiva, como editais da Lei Aldir Blanc, programa ‘RS TER’ e oferta de microcrédito. Mas também demandamos esforço também do BRDE, um banco público focado no desenvolvimento e com vocação para atender ao interesse maior da sociedade, o que se concretiza nessa linha de financiamento.”

Ainda segundo ele, as iniciativas de incentivo não se esgotam com essa novidade: “Continuamos dialogando para construir novas soluções para a retomada de eventos e atividades culturais de forma a preservar vidas e a economia”.

(Marcello Campos)