Divulgação de imagens em rede social é uma das estratégias da Polícia Civil gaúcha para ajudar na localização de desaparecidos

A Polícia Civil gaúcha começou a divulgar no Instagram (@policiacivilrsoficial) imagens de pessoas desaparecidas, especialmente crianças e adolescentes. Além de nome completo e foto, serão veiculadas informações como data do sumiço, idade e local de residência da pessoa, junto com o número de WhatsApp (51) 98519-2196 para contato.

Essa estratégia se soma à outras iniciativas, como a implantação da Delegacia de Polícia de Investigação de Pessoas Desaparecidas, desde março responsável por apurar situações desse tipo envolvendo o sumiço de maiores de idade em Porto Alegre. A unidade é vinculada ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e funciona no segundo andar do Palácio da Polícia.

Apesar dessa função especializada, no Rio Grande do Sul o registro de ocorrência de pessoas desaparecidas também pode ser efetuado em qualquer Delegacia de Polícia, inclusive na Delegacia On-line, não sendo necessário aguardar prazo mínimo para fazer o registro do boletim. O endereço virtual é delegaciaonline.rs.gov.br.

A unidade investiga o desaparecimento de maiores de idade em Porto Alegre. Já quando o foco são crianças e adolescentes, a incumbência permanece com o Departamento Estadual de Proteção aos Grupos Vulneráveis (DPGV).

A Chefe de Polícia, delegada Nadine Anflor, confia no apelo das redes sociais e na sensibilidade do assunto junto às pessoas para que a iniciativa cumpra com a sua proposta: “Esperamos jogar uma luz a essas investigações e, com isso, dar uma resposta adequada para as famílias que anseiam dia e noite por respostas sobre seus entes queridos”.

Mutirão

Outra ação importante é o engajamento da corporação, junto com o Instituto-Geral de Perícias (IGP), na Campanha Nacional para Coleta de DNA de Pessoas Desparecidas. Lançada nesta semana pelo governo federal, a iniciativa consiste em um mutirão para obter material genético de familiares, na semana de 14 a 18 de junho.

O material biológico será recolhido de forma totalmente voluntária e cruzado com amostras do Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG), coordenado pelo Ministério da Justiça. A prioridade são parentes em primeiro grau, na seguinte ordem preferencial: pai e mãe, filhos e irmãos.

Também poderá ser extraído DNA da própria pessoa desaparecida, por meio de itens de uso pessoal como escova de dentes ou cabelo, aparelho de barbear, aliança, óculos, aparelho ortodôntico, dente-de-leite, cordão umbilical. Os detalhes da iniciativa podem ser conferidos no site oficial gov.br/mj.

No que se refere à Polícia Civil, a participação se dará pelo registro de casos que ainda não tenham boletim de ocorrência, bem como por entrevistas de familiares de desaparecidos, a fim de obter informações adicionais que possam auxiliar na investigação.

Pontos de coleta

No Rio Grande do Sul, a campanha está programada para Porto Alegre e outras dez cidades: Canoas, Viamão, Alvorada, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Gravataí, Caxias do Sul, Passo Fundo, Pelotas e Santa Maria. O cronograma deve ser divulgado em breve.

A capital gaúcha terá quatro pontos de coleta, instalados no Parque da Redenção (Zona Central) e em três bairros que estatisticamente concentram os maiores índices de desaparecimentos: Lomba do Pinheiro (Zona Leste), Restinga (Zona Sul) e Rubem Berta (Zona Norte).

As amostras de sangue serão processadas e os perfis genéticos inseridos no Banco de Perfis Genéticos (BPG) do IGP, que armazena material genético de 501 corpos e 312 famílias. Segundo a perita criminal Cecília Fricke Matte, administradora da unidade, o mutirão também contribuirá para popularizar a existência do próprio BPG:

Ela ressalta que as amostras cedidas por familiares de desaparecidos serão utilizadas apenas com o objetivo de inserção de dados no banco e que são fundamentais: “Quando a identificação não é possível através das digitais ou mesmo pelo exame odontológico, o DNA surge como a última possibilidade. Mas trata-se de um exame comparativo, que precisa do perfil genético dos familiares”.

(Marcello Campos)