Consórcio de prefeitos da Região Metropolitana de Porto Alegre aguarda orçamento para possível importação da vacina russa Sputnik V

Após três semanas de debates e tratativas, representantes das 16 prefeituras que integram o Consórcio dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (Granpal) aguardam para esta semana um orçamento do laboratório búlgaro Globalpharm sobre a encomenda de quase 2 milhões de unidades da vacina Sputnik V.

O imunizante é produzido pelo laboratório Gamaleya de Moscou (Rússia) e tem a farmacêutica do Leste europeu como parceira no envase e distribuição das ampolas. A Sputnik já está sendo aplicada no combate ao coronavírus em países como a Argentina.

Conforme a cúpula da Granpal, também está pauta um pedido de informações sobre eventual prazo de entrega por parte do Globalpharm, que recentemente mandou emissários à capital gaúcha para tratar do assunto.

Na semana passada, a Granpal recebeu representantes da empresa búlgara em reunião presencial e outras discussões ocorreram por videoconferência com executivos do laboratório baseados em Portugal.

Além de Porto Alegre, integram o consórcio Porto Alegre, Alvorada, Cachoeirinha, Canoas, Charqueadas, Eldorado do Sul, Esteio, Glorinha, Gravataí, Guaíba, Nova Santa Rita, Santo Antônio da Patrulha, Sapucaia do Sul, Viamão, Taquari, e Triunfo.

Vale lembrar que a vacina russa ainda não conta com o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O grupo de prefeitos das 16 cidades consorciadas trabalha com a hipótese de que esse impedimento é temporário e que a tendência é de liberação emergencial, em breve, por parte do órgão regulador.

Por outro lado, em fevereiro o Supremo Tribunal Federal (STF) bateu o martelo – de forma unânime – em permitir que prefeituras e governos estaduais comprem e distribuam imunizantes que contem com registro e liberação para aplicação em outro país.

Atualmente, o Brasil aplica dois imunizantes contra o coronavírus: Coronavac (produzido pelo laboratório chinês Sinopharm em parceria no Brasil com o Instituto Butantan-SP) e Oxford-Astrazeneca, elaborado em conjunto no País com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-RJ).

Protocolo de intenções

Na semana passada, representantes da Granpal se reuniram com a Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) e Associação Gaúcha de Consórcios Públicos (Agconp), a fim de oficializar protocolo de intenções para compra direta de vacinas dos fornecedores. Ao menos 450 das 497 prefeituras já aderiram ao plano.

O presidente da Famurs, Maneco Hassen, define a iniciativa como uma “pauta suprapartidária e extremamente necessária”. O objetivo, segundo ele, é pressionar o governo federal para que “cumpra rapidamente a sua tarefa, viabilizando uma negociação mais rápida e eficaz com os laboratórios”.

Já o prefeito de Nova Santa Rita (Região Metropolitana de Porto Alegre) e presidente da Granpal, Rodrigo Battistella, ressalva de que a ideia não é confrontar o governo federal ou o Plano Nacional de Imunização do Ministério da Saúde, mas complementar e acelerar esse processo. “Sabemos que a solução para salvar vidas e retomar a economia é a compra da vacina”, frisou.

Ele menciona o fato de a instituição ser um dos primeiros consórcios do Brasil a articular a compra de imunizantes. Também salientou que a iniciativa, denominada “Frente dos Municípios do Rio Grande do Sul pela Vacina”, começou em dezembro com a assinatura de um termo de intenções com o Instituto Butantan-SP.

(Marcello Campos)