Com falta de doses da Coronavac, São Leopoldo precisou paralisar a vacinação contra o coronavírus

Por causa do baixo estoque de imunizantes contra o coronavírus em sua rede municipal de saúde, a prefeitura de São Leopoldo (Vale do Sinos) suspendeu nesta terça-feira (27) a aplicação da vacina Coronavac-Butantan. O expediente foi utilizado para replanejamento logístico e permitiu a retomada do serviço, agora restrito à primeira dose com ampolas de Oxford-Fiocruz.

Nesta quarta-feira (28), começa a imunização dos idosos que completam 60 anos em 2021, pessoas com deficiência permanente com idade entre 55 e 59 anos. Também serão contempladas as pessoas com síndrome de down maiores de 18 anos.

A suspensão desta terça não atingiu pacientes acamados e residentes em Instituições de Longa Permanência de Idosos (ILPIs). Também não houve prejuízo à campanha de vacinação contra a gripe.

Segunda dose

Também à noite, a Secretaria Municipal de Saúde de São Leopoldo frisou que ainda aguarda o recebimento de novas doses do Ministério da Saúde para dar prosseguimento à vacinação de segunda dose da Coronavac-Butantan. O titular da pasta, Marcel Frison, pediu “compreensão e paciência” aos cidadãos.

“Assim que houver novas remessas de vacinas faremos, como sempre, todo o esforço possível para aplicação célere e organizada”, pontuou.

Segundo ele, o atraso não é uma particularidade de São Leopoldo, pois decorre da orientação do Ministério da Saúde e da Secretária Estadual de Saúde que destinava quase a totalidade dos repasses de março à aplicação em primeira dose, considerando-se que no mês de abril haveria abastecimento no ritmo necessário pelo Instituto Butantan-SP”.

Frison acrescentou, por meio de comunicado no site oficial da prefeitura: “Um atraso, ocasionado por um problema diplomático com a China, na importação de insumos para a fabricação nacional, é que ocasionou o problema. Novas doses de Coronavac devem ser entregues ao Ministério, segundo o instituto Butantan, no dia 3 de maio”.

A mensagem é finalizada com um recado que tenta tranquilizar os cidadãos que já estão aptos a completar o esquema vacinal mas que terão que esperar até a chegada de novo lote. E com críticas à logística federal:

“Não existem estudos que indiquem que o atraso na aplicação de segunda dose ocasione prejuízos imunobiológicos. Porém, registra-se como lamentável que um dos melhores programas de imunização do mundo como o do Brasil seja alvo de tamanha desorganização. Desde o início dessa campanha há uma enorme dificuldade de planejamento e organização por parte do Ministério da Saúde”.

Situação sanitária

São Leopoldo registrou nesta terça-feira 75 novos testes positivos e mais quatro mortes decorrentes do coronavírus, chegando assim a 498 óbitos pela doença. No total, o município soma quase 25 mil casos confirmados desde o início da pandemia, dos quais 228 permanecem com o vírus ativo.

Ao todo, 23.821 pessoas estão recuperadas. Outras 143 são consideradas casos suspeitos e aguardam o resultado de testes.

A área reservada para pacientes de covid no Hospital Centenário está com 44 internados, 17 deles em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Os detalhes do quadro geral podem ser consultados em saoleopoldo.rs.gov.br, incluindo bairros mais atingidos, evolução e perfil dos casos, em números e gráficos diariamente atualizados.

(Marcello Campos)