Chega ao terceiro dia a paralisação dos sistemas do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul por ataque cibernético

Devido ao ataque cibernético contra os seus sistemas de informática, o Tribunal de Justiça do Rio Grane do Sul (TJ-RS) enfrentou nesta sexta-feira (30) o seu terceiro dia consecutivo de indisponibilidade do site, impossibilidade de consulta a documentos eletrônicos e outros transtornos. Todos os prazos processuais e administrativos continuam suspensos.

Até o fim da noite, o site www.tjrs.jus.br estava praticamente fora do ar, limitando-se a divulgar poucas informações sem atualização constante, incluindo uma nota oficial da presidência da Corte. O conteúdo era o seguinte:

“Por força do grave ataque cibernético promovido contra o Judiciário gaúcho, com ampla repercussão nas mídias internas e externas, e objetivando principalmente evitar o elevado número de informações desencontradas, oriento a todos que observem exclusivamente as notícias constantes do portal oficial deste Tribunal.

Outrossim, esclareço que todas as manifestações oficiais do Poder estão concentradas no Conselho de Comunicação Social, na pessoa de seu presidente, desembargador Antonio Vinicius Amaro da Silveira. Todas as atualizações oficiais serão publicadas no site do Tribunal de Justiça”.

Investigação

Na tentativa de identificar quem invadiu os sistemas digitais do Tribunal de Justiça e a motivação, o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) designou um integrante da Promotoria Especializada Criminal para auxiliar na investigação do caso.

Esta, por sua vez, mobilizou toda a sua estrutura investigatória para ajudar o Núcleo de Inteligência do próprio TJ-RS e a Delegacia de Repressão aos Crimes Informáticos (DRCI), da Polícia Civil. Profissionais de segurança em informática também foram recrutados para tentar solucionar o problema, com o apoio do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Nesta sexta-feira, o Judiciário gaúcho confirmou o recebimento, por parte do hacker responsável pelo ataque, de um pedido de um “resgate” em bitcoins (uma das chamadas “criptomoedas”) para restabelecer a normalidade do sistema. O valor não foi informado, mas a presidência do TJ-RS já adiantou que não cederá à chantagem e que nem teria previsão orçamentária para isso.

“Ainda que fosse a meta, nós jamais pagaríamos”, garantiu o desembargador Antonio Vinicius Amaro da Silveira, presidente do Conselho de Comunicação do TJ-RS. Além disso, integrantes da instituição desconfiam que a ação  possa ter sido cometida com outros objetivos. Afinal, o Judiciário trabalha com dados pessoais e sigilosos que podem ser do interesse de muita gente.

(Marcello Campos)