Autoridades gaúchas reforçam a necessidade de medidas mais restritivas contra a pandemia

Prefeitos, presidentes de associações regionais e integrantes de comitês técnicos das cidades nas Regiões-Covid de Ijuí, Santa Rosa e Passo Fundo foram convocados para reuniões de alinhamento sobre novas medidas de combate à pandemia de coronavírus. A medida, no âmbito no sistema de monitoramento pelo governo gaúcho, foi tomada após avaliação de que as ações adotadas ultimamente não têm sido suficientes.

Devido ao agravamento da situação da pandemia nas regiões, o governador Eduardo Leite decidiu fazer reuniões específicas, com acompanhamento do Ministério Público por meio de encontros híbridos (presenciais e on-line). Nesta segunda-feira (14), também haverá mais uma rodada de encontro com representantes das Regiões de Cachoeira do Sul, Erechim, Palmeira das Missões e Cruz Alta.

O Gabinete de Crise tem optado, semanalmente, pela manutenção dos alertas de risco epidemiológico. Em 28 de maio e 2 de junho, o Gabinete de Crise inclusive reforçou essa mensagem para Passo Fundo e Santa Rosa,  diante da necessidade de ações mais rígidas para frear o contágio. O mesmo ocorreu com Ijuí em 28 de maio.

A Região de Santa Rosa tem a segunda maior incidência de casos confirmados entre as 21 “Regiões-Covid” na última semana, e 63,5% superior à média estadual. O número de óbitos cresceu 23,1% com relação à semana anterior, e a taxa de mortalidade é a 9ª maior do Estado. A taxa de ocupação de leitos de UTI é de 98,2% e a região tem precisado enviar pacientes para outras regiões.

Em Ijuí, houve um aumento de 14,1% de casos confirmados. A região tem a 6ª maior incidência de casos por habitantes entre as 21 regiões. Os óbitos também aumentaram, da última semana para cá, em 4,3%, e a taxa de ocupação de leitos de UTI é de 95,9%.

Em Passo Fundo, o número de óbitos cresceu 10,3%, e a região tem a terceira mais alta taxa de mortalidade entre as Regiões-Covid. A incidência de novos testes positivos por 100 mil habitantes cresceu 8,5% nesta semana e a região tem a maior incidência de novos casos entre as 21 regiões Covid. Essa incidência também é 84% superior à média estadual. Além disso, a taxa de ocupação de leitos de UTI está em 100%.

Autoridades se manifestam

As reuniões desta sexta-feira (11) foram coordenadas pela titular da Secretaria Estadual da Saúde (SES), Arita Bergmann, com participação do secretário de Articulação e Apoio aos Municípios, Luiz Carlos Busato, do coordenador do Gabinete de Crise do Palácio Piratini, Marcelo Alves, e do procurador-geral de Justiça, Marcelo Dornelles, e equipes técnicas de saúde, além de integrantes do Ministério Público.

“Temos de evitar que mais pessoas venham a óbito e que o número de casos siga aumentando”, acrescentou Arita. “Precisamos melhorar os planos, incrementar medidas e valorizar a ciência, incutindo na população o sentimento de que os planos são coletivos e precisam ser respeitados por todos. A gestão parceria e compartilhada, com ações objetivas e operacionais, darão resultado.”

Segundo Arita, os planos de Ação precisam de medidas mais consistentes para a redução do contágio de coronavírus. “Não pode ser uma carta de boas intenções, precisa ser um plano de ações concretas”, detalhou, colocando a pasta à disposição dos prefeitos para auxiliar na adequação dos planos.

“As reuniões servem para reforçar a suma importância de fiscalizar, monitorar, conscientizar e vacinar. A vacina é um alento, mas só a vacina não resolve, e se não freamos o contágio, não teremos leitos suficientes para atender todos que precisarem”, alertou a secretária.

Dornelles, por sua vez, reiterou a necessidade de iniciativas mais restritivas: “Os pactos foram firmados, os compromissos foram aceitos, e os índices nessas regiões estão piorando. Nossa orientação é de que precisamos ser mais firmes nesses locais para que a situação melhore. Medidas jurídicas serão tomadas se houver descumprimento dos pactos”.

“Essas reuniões não estão ocorrendo gratuitamente”, complementou Busato. “Os dados das regiões estão nos preocupando, e as ações precisam ser ainda mais efetivas. Os técnicos do governo do Estado estão à disposição das regiões para a construção de alternativas de enfrentamento da pandemia.”

(Marcello Campos)