Auditoria realiza pente-fino em contratos de hospital de Canoas

A direção do Hospital Nossa Senhora das Graças, de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, aguarda o resultado de auditoria externa contratada para verificar todos os contratos vigentes da instituição. A medida foi adotada pela nova administração diante de indícios de irregularidades. A instituição criou, ainda, o Setor de Controladoria, responsável por rever todos os contratos.

Até o final do primeiro semestre, a auditoria financeira deverá ser concluída, segundo o diretor geral do HNSG, Juliano da Silva. O trabalho, realizado por uma empresa especializada, começou na segunda-feira (26). Antes, em 30 dias, a instituição já deve ter o resultado de um levantamento sobre os débitos referentes ao FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) dos trabalhadores que deixou de ser recolhido nos últimos anos.

“Vamos abrir todas as contas do hospital. Não entendemos como alguns contratos foram feitos. Muitos não existem na prática e os que existem são confusos. Estamos chamando as empresas para conversar, mas nem todas aparecem”, ressalta o diretor.

Um dos contratos que chamou a atenção foi o de prestação de serviços de informática. Por mês, o HNSG paga cerca de R$ 15 mil pelo aluguel de computadores. “É um contrato sem sentido, um computador novo, a exemplo do que existe hoje no hospital, custa em torno de R$ 2 mil. O custo com o aluguel é muito superior ao que teríamos se fôssemos adquirir os equipamentos”, afirma Silva. No total, são oito contratos e aditivos com essa empresa.

Para não prejudicar os serviços e correr o risco de ficar sem computadores de uma hora para outra, o contrato será mantido temporariamente. De acordo com a prestadora do serviço, seriam 150 computadores locados, mas a administração do hospital está concluindo o levantamento para localizar todos os equipamentos.

Outra situação que destoa da situação financeira delicada do HNSG diz respeito às máquinas de café instaladas no prédio. Pela cessão do espaço, o hospital recebe 900 reais em café para a equipe médica. Mas os equipamentos consomem cerca de R$ 3 mil de energia elétrica por mês.

Por meio do recém criado Setor de Controladoria, foi designado um fiscal para cada contrato celebrado pelo HNSG. A medida, além de permitir identificar se os serviços são prestados de fato, permite dar mais transparência à gestão do hospital. “Estamos revendo contrato por contrato”, acrescenta o diretor geral.