Policial militar acusado de matar 4 pessoas em pizzaria de Porto Alegre é preso e vira réu


Andersen Zanuni Moreira dos Santos se apresentou em batalhão da Brigada Militar e foi encaminhado para a Polícia Civil. Crime ocorreu em junho de 2021. Acusado vai responder por quatro homicídios duplamente qualificados, violação de domicílio e vias de fato. Entenda: Vídeo mostra briga que acabou com quatro mortos por PM em pizzaria do RS
O policial militar Andersen Zanuni Moreira dos Santos, acusado de matar quatro pessoas em uma pizzaria de Porto Alegre em junho, foi preso preventivamente nesta quarta-feira (18). Segundo decisão da juíza Lourdes Helena Pacheco da Silva, expedida na terça (17), a medida se dá pela garantia da ordem pública e para impedir que ele venha a ameaçar testemunhas.
A magistrada também acatou a denúncia do Ministério Público, transformando o acusado em réu por quatro homicídios duplamente qualificados, violação de domicílio e vias de fato.
O G1 tentou contato com os advogados do PM, David Leal e Raiza Hoffmeister, e aguarda retorno.
Segundo o delegado responsável pelo caso, Gabriel Lourenço, da 5ª Delegacia de Homicídios, Andersen se apresentou no 20º Batalhão de Polícia Militar e foi encaminhado para a Polícia Civil. Após a formalização dos atos, o réu deve ser levado para o Batalhão de Polícia e Guarda da Brigada Militar, onde ficará preso.
No despacho, a magistrada Lourdes Helena Pacheco da Silva, da 2ª Vara do Júri do Foro Central de Porto Alegre, afirma que os delitos foram cometidos com a arma funcional do PM, em ato de “grande violência e crueldade”.
“O fato é grave. A ação do denunciado, policial militar fora do exercício de sua função, resultou em quatro homicídios, em tese, qualificados, delitos cometidos com a arma funcional e de grande violência e crueldade”, diz.
A defesa da família das vítimas classificou o decreto de prisão como “questão de justiça” (veja nota abaixo). Os quatro homens mortos na ocasião são os irmãos Cristian e Cristiano Lucena Terra, de 33 e 38 anos, respectivamente; o primo deles, Alisson Correa Lucena, de 28 anos; e o sobrinho, Alexsander Terra Moraes, de 26 anos.
Policial foi alvo de inquérito sobre quatro mortes em pizzaria de Porto Alegre em junho
Reprodução
Detalhes do caso
A ocorrência foi registrada na madrugada de 13 de junho, em uma pizzaria na Avenida Manoel Elias, em Porto Alegre. Após atirar contra as vítimas, Andersen se apresentou à polícia alegando legítima defesa.
Ele teria ido à casa da família das vítimas, onde era realizada uma festa, em busca da ex-namorada. Testemunhas afirmam que o policial teria invadido a residência, sendo retirado de lá pelos homens.
Os quatro teriam seguido o acusado, que se escondeu na pizzaria. Dentro de um banheiro, o policial atirou contra o grupo, matando todos os homens, aponta a investigação.
Entrada da pizzaria onde foi registrada a ocorrência, em Porto Alegre
Reprodução/RBS TV
Em julho, o inquérito da Polícia Civil chegou a confirmar a tese de legítima defesa, levantada por Andersen. Segundo o delegado Gabriel Lourenço, o policial militar usou “os meios necessários moderadamente para repelir aquela injusta agressão”.
Entretanto, a defesa da família dos assassinados e o Ministério Público contestaram a versão.
Na denúncia apresentada ao Judiciário, os promotores de Justiça André Gonçalves Martínez e Luiz Eduardo de Oliveira Azevedo sustentaram que Andersen, sem ter desferido sequer um tiro de aviso, passou a alvejar uma das vítima de forma letal com sucessivos disparos.
Em seguida, um segundo homem, que estava à frente do grupo, anunciou que iria socorrer o primo, momento em que foi alvejado com um tiro fatal na cabeça. O MP ainda relata que, sob o mesmo anúncio e objetivo de socorro, aproximaram-se as demais vítimas que foram, em sucessão, alvejadas.
Na ocasião da denúncia, o advogado David Leal afirmou que o pedido do MP “extrapola o que entendemos como fato punível, porque é desnecessário que haja uma denúncia quando a pessoa age com base na legítima defesa”.
Alexsander (de moletom branco), Cristiano (de boné cinza), Cristian (de boné vermelho) e Alisson (com a camisa do Internacional) foram mortos a tiros por PM.
Arquivo Pessoal
Réu por estupro
Andersen Zanuni Moreira dos Santos também foi denunciado por estupro de vulnerável pelo Ministério Público de Gravataí, na Região Metropolitana.
O soldado e outros dois homens teriam cometido o crime no dia 9 de janeiro deste ano em uma casa no bairro Castelo Branco.
Os advogados dos três réus dizem que “não ocorreu qualquer crime sexual” e que a versão apresentada pela vítimas “é absolutamente inconsistente”.
Por envolver uma menor de idade, a 2ª Vara Criminal de Gravataí colocou o processo sob sigilo.
Nota da defesa da família das vítimas:
“O mandado de prisão expedido pela 2⁰ Vara do Júri da Comarca de Porto Alegre – juíza Lourdes Helena da Silva – contra ANDERSEN ZANUNI MOREIRA DOS SANTOS é questão de justiça! A assistência à acusação entende que a prisão preventiva se faz necessária, afinal não se pode admitir que o réu, sendo policial militar, respondendo por estupro de vulnerável e quatro homicídios qualificados esteja livre, armado e fardado sob o escopo de estar protegendo a sociedade.”
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