Orçamento de 2022: governo prevê rombo fiscal de cerca de R$ 50 bilhões e alta de 2,51% no PIB

Ministério da Economia enviará proposta ao Congresso nesta terça; valor do déficit está abaixo dos R$ 170 bi previstos anteriormente. Governo também projeta alta de 3,5% na inflação. O Ministério da Economia estimou nesta terça-feira (31), por meio da proposta de orçamento para 2022, que as contas do governo registrarão déficit de R$ 49,6 bilhões no próximo ano.
O déficit acontece quando as despesas superam receitas com tributos e impostos. Na conta, não são considerados os gastos do governo com o pagamento de juros da dívida pública.
A proposta de orçamento de 2022 também prevê
salário mínimo de R$ 1.169, sem aumento acima da inflação
valor integral de precatórios e sem reajuste do Bolsa Família
A projeção para o rombo nas contas do governo está abaixo da meta fiscal. A lei que definiu as diretrizes do orçamento fixou para o ano que vem o limite de até R$ 170,473 bilhões.
Segundo o Ministério da Economia, o rombo fiscal projetado para 2022 abaixo da meta “deixa evidente os benefícios do novo regime fiscal (teto de gastos) que, a partir do controle de gastos, traduz o aumento de receita em melhores resultados fiscais, com reflexo no endividamento do governo geral e nas expectativas de médio prazo em relação às contas públicas”.
Valor pode ser menor
Segundo o secretário especial do Tesouro e Orçamento do Ministério da Economia, Bruno Funchal, o rombo fiscal pode ser menor ainda em 2022, uma vez que o valor estimado não considera, até o momento, a privatização da Eletrobras.
Em junho, o Ministério da Economia informou que a pode gerar R$ 100 bilhões aos cofres públicos depois que estiver totalmente concluída.
De acordo com o Ministério da Economia, a dívida bruta do setor público consolidado, que somou 83,8% do PIB em julho deste ano, deve recuar para 81,2% do PIB no fim de 2021 e para 79,8% do PIB no fechamento de 2022.
PIB e inflação
A proposta orçamentária para o próximo ano também prevê:
crescimento de 2,51% do Produto Interno Bruto (PIB);
alta de 3,5% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país.
O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.
Na semana passada, em pesquisa realizada pelo Banco Central com mais de 100 instituições financeiras, a projeção do mercado financeiro foi de um crescimento para o PIB de 2% em 2022, e de uma inflação de 3,95%.
No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,50% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2% a 5%.
Deste modo, as instituições financeiras estão prevendo uma alta menor do PIB e um crescimento maior da inflação em 2022.