Maria Carolina Santiago ganha 3 ouros na natação paralímpica: ‘Representa muito para mim’


Natural de Pernambuco, atleta treina em Porto Alegre, no Grêmio Náutico União. Nadadora ainda ganhou uma medalha de prata e outra de bronze, além de ter superado recordes da competição. Atleta de clube do RS comemora conquista nas Paralimpíadas
A nadadora Maria Carolina Santiago colocou o Brasil três vezes no topo do pódio nos Jogos Paralímpicos, em Tóquio. A última medalha de ouro veio na manhã desta quarta-feira (1º), na disputa dos 100m peito, pela classe S12 (para atletas com deficiência visual). A atleta ainda ganhou uma medalha de prata e outra de bronze, além de ter superado recordes da competição
Natural de Pernambuco, Maria Carolina também representou o Rio Grande do Sul nas provas. A nadadora treina no Grêmio Náutico União, em Porto Alegre.
“Foi bem difícil. Essa foi minha última prova e era a principal. Eu já estava sentindo o peso do programa. E fazia tempo que eu não performava dessa forma. Estou muito feliz de terminar 2021 assim”, comemora Carol.
Aos 36 anos e na sua primeira edição de Jogos Paralímpicos, a pernambucana conquistou o ouro com o tempo de 1’14”89, seguida por Daria Lukianenko, do Comitê Paralímpico Russo, e pela ucraniana Yaryna Matlo. A marca da atleta valeu novo recorde paralímpico, feito que ela também já havia alcançado na prova dos 50m livre.
“Representa muito para mim. Acredito que é o maior título que eu posso atingir. É a maior competição que já participei. Recebi muito carinho. De todo mundo. Muito incentivo. Estou muito feliz. Três medalhas de ouro”, conta Carol.
Com o feito, ela passa a ser a primeira brasileira a conquistar três medalhas de ouro na natação em uma única edição dos Jogos Paralímpicos.
Além do ouro nos 100m peito, a atleta também venceu os 50m e os 100m livre. Carol ainda foi bronze nos 100m costas e prata no revezamento misto dos 4x100m livre – 49 pontos. Ou seja, a pernambucana totaliza cinco medalhas na capital japonesa.
Esse foi o 15º ouro da missão brasileira em Tóquio, superando o número de medalhas douradas conquistadas nos Jogos Rio 2016 (14) e ficando a seis do recorde estabelecido em Londres 2012 (21).
Brasil ultrapassa marca de 100 medalhas de ouros em Paralimpíadas
A pernambucana nasceu com síndrome de Morning Glory, alteração congênita na retina que reduz seu campo de visão. Carol praticou natação convencional até o fim de 2018, quando migrou para o esporte paralímpico. Na seletiva brasileira de natação, em junho, a atleta bateu o recorde mundial dos 50m livre.
Carol foi medalhista nas Paralimpíadas de Tóquio, nas provas da natação
Miriam Jeske/CPB/Divulgação
Trabalho duro
A pandemia de Covid-19 mexeu com a rotina dos atletas que se preparavam para as competições e com a Carol não foi diferente. O peso foi ainda maior por ter ficado mais de um ano distante quase 3,8 mil km dos pais, que moram em Recife, já que os seus treinos ocorriam em Porto Alegre.
“Desde o começo da pandemia que não vai ver os pais em Recife. Ela se cuidou, manteve o treinamento. Abriu mão de bastante coisa para estar aqui. Na água, ela foi lá e realizou, que é o mais difícil. A Carol é uma atleta espetacular”, diz o técnico-chefe da natação, Leonardo Tomasello.
Como era a primeira vez nos Jogos Paralímpicos, Carol não acreditava que teria um resultado tão bom.
“Não imaginava. Eu treinei bastante para isso. Eu vim competitiva para isso. Estava preparada para isso. Essa competição não me decepcionou. Foi muito forte. Minhas adversárias estavam muito bem preparadas, mas eu também. Eu sonhei com isso e agora eu conquistei”, diz.
Pernambucana treina no Grêmio Náutico União (GNU), em Porto Alegre
Ale Cabral/CPB/Divulgação
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