Latam tem espaço para prorrogar entrega de plano de recuperação até fim de outubro, diz presidente da aérea


Companhia pediu recuperação judicial nos Estados Unidos no ano passado. Avião da Latam estacionado no Aeroporto Internacional de Macapá
Maksuel Martins/GEA/Divulgação
O presidente da Latam Brasil, Jerome Cadier, afirmou nesta quarta-feira, em conversa com o “Valor”, que o Grupo Latam tem espaço para prorrogar a apresentação de seu plano de recuperação judicial aos credores até fim de outubro. A companhia chilena está em recuperação judicial (chapter 11) nos Estados Unidos.
“Dia 15 [de setembro] é uma data importante porque até lá a gente tem a exclusividade de apresentar o plano. Essa exclusividade pode ser prorrogada, mas até agora a gente não deu sinalização se prorrogaremos ou não”, disse.
O Grupo Latam conseguiu liberação do Tribunal do Distrito Sul de Nova York para prorrogar pela terceira vez o prazo de entrega do plano de recuperação judicial. A apresentação deve ocorrer até 15 de setembro e o veredicto por parte dos credores precisa ser dado até 8 de novembro.
Em maio do ano passado, quando a companhia protocolou o pedido de recuperação judicial em Nova York, sua dívida era de quase US$ 18 bilhões.
Interesse da Azul
Nos bastidores, a Azul tem aguardado a apresentação do plano para fazer uma proposta aos credores do grupo do Chile e tentar comprar a operação da Latam Brasil. Reportagem de veículos internacionais, entretanto, apontaram que Azul chegou até a pôr à mesa a intenção de comprar toda a operação ou fazer uma joint venture com a companhia chilena.
Cadier foi questionado pela reportagem se há algum cenário de acordo com a Azul no momento.
“Até maio deste ano, a gente vinha em tentativa de acordo comercial na forma de codeshare, que foi encerrado. Então hoje não existe nenhuma discussão de acordo, mas já existiu”, disse.
O executivo voltou a levantar dúvidas sobre os reais efeitos da consolidação provocada pela Azul. Na visão dele, a consolidação tenderia a sustentar os preços, uma vez que uma empresa formada por Azul e Latam Brasil teria monopólio em muitas rotas. “Acho que, na visão de passageiro ou como regulador, eu gostaria de ter mais empresas, e não menos”, disse.
Monopólio
Segundo Cadier, o mercado brasileiro já chegou a operar com duas empresas, mas isso foi há 20 anos. “Recentemente, o Brasil já teve quatro grandes aéreas, não vejo sentido em voltar a ter duas”, disse.
Mais cedo no evento e em outro painel, o presidente da Azul, John Rodgerson, retrucou as críticas do concorrente, Cadier, acerca da intenção da aérea brasileira de comprar a operação da companhia chilena no Brasil. “Alguém me chamou de monopolista hoje. Acho engraçado isso. Quando há uma cidade que não opera voo e eu ponho um voo eu sou monopolista”, disse.
“Agora tem mais aeroportos servidos do que antes da Covid. A maneira de voar é diferente e isso vai continuar”, disse Rodgerson.
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