Crise energética: ‘Pode ser que tenha que ocorrer algum racionamento’, diz Mourão


País vive pior crise hídrica em 91 anos, e Aneel determinou taxa extra ainda mais cara na conta de luz. Nesta terça, governo pediu esforço de redução do consumo de energia. Vice-presidente Hamilton Mourão em entrevista coletiva nesta quarta-feira (1º)
Guilherme Mazui/G1
O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta quarta-feira (1º) que “pode ser que tenha que ocorrer algum racionamento” de energia elétrica em razão de crise energética no país.
Mourão deu a declaração ao conceder entrevista coletiva à imprensa no Palácio do Planalto. O vice-presidente foi questionado sobre a decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de criar uma taxa extra ainda mais cara a ser cobrada na conta de luz.
“O que eu tenho acompanhado é que o governo tomou as medidas necessárias, criou uma comissão para acompanhar e tomar as decisões a tempo e a hora no sentido de impedir que ocorra isso aí que você [repórter] colocou, que haja apagão. Agora, pode ser que tenha que ocorrer algum racionamento”, declarou Mourão nesta quarta.
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A chamada “bandeira tarifária escassez hídrica” entrou em vigor nesta quarta e permanecerá até 30 de abril de 2022. A nova bandeira adiciona R$ 14,20 na conta de luz para cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. Até então, o preço mais elevado era o da “bandeira vermelha patamar 2”, cujo valor era R$ 9,49, reajustado em junho.
O país vive a pior crise hídrica dos últimos 91 anos. Segundo o Operador Nacional do Sistema (ONS), os reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste, que correspondem a 70% da energia gerada no Brasil, estão com 21,3% da capacidade de armazenamento. A previsão do ONS é que esses reservatórios cheguem a 10% da capacidade em novembro.
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Apelo por redução do consumo
Nesta terça (31), em pronunciamento na TV, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, fez um apelo por um “esforço de redução de consumo” de energia elétrica.
O ministro, que diz não haver a possibilidade de racionamento, afirmou que a “condição hidroenergética se agravou” e pediu aos consumidores que reduzam o desperdício de energia por meio de ações como, por exemplo, apagar as luzes e aparelhos que não estão em uso.
“Para aumentar a segurança energética e afastar o risco de falta de energia no horário de maior consumo é necessário que a administração e o consumidor participem de um esforço inadiável de redução do consumo. O empenho de todos nesse processo é fundamental para atravessar com segurança o grave momento e para diminuir o custo da energia”, afirmou o ministro.
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Desconto na conta de luz
Também na terça, o governo anunciou um programa que dará desconto na conta de luz dos consumidores residenciais e pequenos negócios que reduzirem de forma voluntária o consumo de energia.
O programa tem duração prevista até dezembro, mas pode ser prorrogado.