BCE reduz suporte, mas não sinaliza fim do estímulo


Banco Central Europeu não deu nenhum sinal de como desfazer o Programa de Compra de Emergência da Pandemia (PEPP) de 1,85 trilhão de euros, que manteve os custos de empréstimos baixos para governos e empresas. Sede do Banco Central Europeu (BCE) em Frankfurt, em imagem de arquivo
Ralph Orlowski/Reuters
O Banco Central Europeu (BCE) reduzirá ligeiramente suas compras de títulos de emergência ao longo do próximo trimestre, disse a autoridade monetária nesta quinta-feira (9), dando um passo simbólico para desfazer a ajuda econômica de emergência que sustentou o bloco durante a pandemia.
No entanto, o movimento foi modesto e o BCE não deu nenhum sinal de seu próximo movimento, incluindo como desfazer o Programa de Compra de Emergência da Pandemia (PEPP) de 1,85 trilhão de euros, que manteve os custos de empréstimos baixos para governos e empresas.
Sob o PEPP, o BCE vai comprar títulos a um ritmo moderadamente menor nos próximos três meses do que os 80 bilhões de euros por mês que comprou nos dois trimestres anteriores.
“O Conselho julga que condições favoráveis de financiamento podem ser mantidas com um ritmo moderadamente mais lento de compras de ativos sob o Programa de Emergência da Pandemia do que nos dois trimestres anteriores”, disse o BCE em comunicado.
Nos últimos dois trimestres, o banco comprou cerca de 80 bilhões de dólares em dívida por mês. O BCE não deu um número para os próximos três meses, mas analistas previam antes da reunião que as compras cairiam para entre 60 bilhões e 70 bilhões de euros.
Destacando a cautela das autoridades, o banco também manteve a antiga promessa de aumentar o estímulo se os mercados e as condições de financiamento exigirem.
O banco acrescentou que comprará títulos com flexibilidade, de acordo com as condições de mercado, procurando evitar um aperto nas condições de financiamento incompatível com seu objetivo de inflação.
Alta do PIB e da inflação
O Banco Central Europeu elevou suas projeções de crescimento e inflação para este ano e mais além, com a economia da zona do euro se recuperando mais rapidamente da pandemia do que a maioria esperava.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, disse que a zona do euro está a caminho de um forte crescimento no terceiro trimestre e que o BCE prevê a atividade econômica de volta ao seu nível pré-pandemia até o final do ano.
Ela disse que embora as perspectivas para a inflação para este ano tenham sido revistas para cima, superior à meta de 2% do BCE, o aumento atual deve ser temporário e acrescentou que a inflação de médio prazo ainda está bem abaixo da meta.
Os riscos para o crescimento estavam “amplamente equilibrados”, disse Lagarde, com o BCE mantendo sua avaliação de risco mesmo com analistas alertando sobre obstáculos como a variante Delta da Covid-19, a desaceleração econômica da China e os gargalos persistentes na economia mundial que restringiram a produção em alguns setores.
No que descreve como cenário base, o BCE espera que o PIB cresça 5% este ano, acima dos 4,6% previstos em junho, enquanto o crescimento no próximo ano é estimado em 4,6%, de projeção anterior de 4,7% do BCE.
A previsão de inflação do banco para este ano foi elevada com força, principalmente por causa da alta nos preços das commodities, gargalos de produção e aumento do consumo. Mas a alta esperada nos preços ao consumidor em seu horizonte de projeção permanece abaixo de 2%, marca não alcançada por quase uma década.
A inflação passa a ser estimada em uma média de 2,2% neste ano, acima da taxa de 1,9% projetado em junho, enquanto em 2022 é projetada em 1,7%, contra uma previsão anterior de 1,5%, e em 2023 em 1,5%, ante 1,4%.