Barroso pede que Braga Netto indique nome das Forças Armadas para comissão de transparência eleitoral

TSE anunciou medidas para reforçar transparência do sistema após embates com Bolsonaro, que tem feito ataques sem provas às urnas. Grupo será composto por 12 autoridades e especialistas. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, e o ministro da Defesa, Braga Netto, debateram nesta terça-feira (17) a indicação de um representante das Forças Armadas para a comissão de transparência das eleições.
A criação desse grupo é uma das medidas anunciadas pelo TSE para reforçar a transparência e a confiança dos eleitores na segurança das urnas (veja no vídeo abaixo).
Nas últimas semanas, o presidente Jair Bolsonaro tem feito uma série de ataques ao sistema eleitoral brasileiro, sem apresentar qualquer prova e distorcendo dados oficiais.
A resposta institucional do TSE inclui a formação de uma comissão, com 12 especialistas em tecnologia e representantes de instituições públicas e privadas, para acompanhar cada etapa do processo eleitoral. Barroso e Braga Netto conversaram sobre a inclusão, nesse grupo, de um indicado das Forças Armadas.
O gabinete de Barroso confirmou a conversa à TV Globo. Disse que o ministro do TSE contatou o ministro da Defesa para solicitar a indicação, e que Braga Netto retornou a ligação na tarde desta terça-feira.
TSE anuncia medidas para ampliar transparência das eleições
Barroso participava, por videoconferência, de uma sessão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) quando recebeu o telefonema de Braga Netto. Com o microfone aberto, foi possível ouvir na transmissão a saudação inicial do ministro: “Boa tarde, general, como vai o senhor?”
O áudio foi cortado em seguida, e a sessão de julgamentos continuou normalmente. O G1 questionou o Ministério da Defesa sobre a indicação do representante das Forças Armadas para a comissão eleitoral e aguarda retorno.
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Mais transparência
Na última semana, o TSE também anunciou outras medidas para aumentar a transparência do processo de apuração das eleições – e, com isso, tentar debelar as informações falsas que vêm sendo divulgadas sobre o tema.
A lista inclui:
a abertura para auditoria dos partidos, um ano antes das eleições, dos códigos-fonte dos programas que permitem o funcionamento das urnas eletrônicas – o prazo atual previsto em lei é de seis meses;
convite expresso para que os partidos participem do processo de inserção do código-fonte nas urnas. As legendas já são autorizadas a participar da etapa mas, agora, serão convidadas formalmente. O processo já é acompanhado pelo Ministério Público e pela Polícia Federal;
possível aumento no número de urnas que participam do chamado “teste de integridade” – uma votação paralela, na véspera da eleição, em que os votos são impressos e depois conferidos no boletim da urna eletrônica para atestar a confiabilidade do sistema. Hoje, 100 urnas são selecionadas aleatoriamente para a testagem.

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