Novas exigências da Anvisa impedem mais vacinas

Laboratórios e técnicos do governo se espantaram, esta semana, com a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) criando empecilhos para importar vacinas. O Ministério da Saúde percebeu algo diferente, para pior, ao pedir Licenciamento de Importação da vacina indiana Covaxin. Em resposta, a Anvisa fez exigências novas, como a apresentação do mesmo Licenciamento, que ela própria emite. Também tenta impor suas regras para elaboração de “relatório técnico” da “Anvisa indiana”.

Exigência impraticável
Pedir relatório da “Anvisa da Índia” é como exigir da Food and Drug Administration (dos EUA) um modelo de relatório segundo seus padrões.

Licenciamento interno
Para obter a licença de importação, o Ministério da Saúde faz o pedido no Sistema de Comércio Exterior (Siscomex), para análise da Anvisa.

Burocracia sempre vence
Anvisa se posiciona no Siscomex, e pode autorizar. Nem os burocratas da Anvisa sabem explicar exigência de documento que ela própria emite.

Quem cala…
Questionada sobre o processo de liberação da importação de vacinas, a Anvisa não se pronunciou até o fechamento desta edição.

Brasil já tem média diária de quase 500 mil doses
O número de vacinados com ao menos a primeira dose passou o total de casos confirmados no domingo e disparou para superar os 13,4 milhões nesta quarta (24), segundo a plataforma independente vacinabrasil. Fato indiscutível é que o Brasil está confirmando expertise em campanhas de imunização em larga escala. Basta ter as doses. Em menos de 72h foram aplicadas 1,9 milhão de doses e a média diária é cerca de 500 mil.

Realmente úteis
Levando em consideração apenas os dias úteis, descontando sábados e domingos, a média diária de doses aplicadas sobe para 535 mil vacinas.

Proporcionalmente
Para os que gostam de percentuais, estão vacinados 6,4% da população, enquanto são 5,78% os que tiveram a doença e 0,14% que faleceram.

Vai dar Brasil
No total, o Brasil já aplicou 17,8 milhões de vacinas, incluindo as 4,5 milhões de pessoas que receberam a segunda dose e estão imunizadas.

Intervenção consentida
A reunião desta quarta (24) no Alvorada oficializou uma “intervenção branca” do Congresso no comando da guerra à Covid. O presidente Jair Bolsonaro, percebeu não haver outro caminho, no agravamento da pandemia, senão compartilhar responsabilidades. E avalizou a iniciativa.

Desinformação geral
Em sua primeira coletiva após assumir a Saúde, o novo ministro Marcelo Queiroga mostrou estar tão desinformado quanto os que o interpelaram sobre a mudança de regras para registro de óbitos por covid.

Registro mais rápido
CPF era dado “essencial” que virou “obrigatório”, no registro de óbitos. Ao se digitar o número, seis campos são preenchidos automaticamente, quatro deles obrigatórios. Em vez de retardar, agiliza o preenchimento.

Obra do Centrão
A “intervenção branca” do Congresso na luta contra covid foi mais uma contribuição do Centrão à governabilidade. Bolsonaro logo perceberá que o Comitê Anti-Covid reduzirá tensões, dividindo os ônus e o bônus.

Mandou bem
Viraliza vídeo do prefeito de Bagé, Divaldo Lara (PTB), informando que não seguirá orientação do governo gaúcho para vacinar os presos antes das forças de segurança. “Bandido será vacinado por último”, decretou.

Realmente úteis
A vacinação no Brasil segue com pé fundo no acelerador. Foram mais de 3 milhões de doses aplicadas em uma semana, elevando a média diária para 460 mil doses. Em dias úteis, a média diária já passa de 500 mil.

Controle de praga
O senador republicano John Kennedy disse ontem, nos Estados Unidos, que o país não precisa de mais controle sobre as armas de fogo. Ele está preocupado com outra praga: “precisamos de mais controle de idiotas”.

Jerico é pouco
Deputados de oposição ganharam destaque na imprensa por exigir que os R$ 1,7 bilhão cortados do Censo Demográfico fossem “devolvidos” ao Orçamento. Em plena pandemia, acham boa ideia defender que funcionários públicos tenham contato cara a cara com toda a população.

Pensando bem…
… exigem CPF em tudo, mas tornar essa informação obrigatória no formulário de registro de óbitos por covid, virou “manipulação”.

PODER SEM PUDOR
Luta inglória
Convidado à posse da diretoria da Associação Brasileira de Jornais do Interior, em 1997, o senador Pedro Simon discursou elogiando os pequenos jornais e a luta inglória pela sobrevivência quando citou a Bíblia: “É uma luta desigual ! É como, na Bíblia, a luta do gigante Golias contra o pequeno José…” O lapso de tempo e de personagens foi cochichado ao seu ouvido, recorda Luciano de Souza Abreu, que assistiu a solenidade. Simon emendou: “…mas que foi injusta, ela foi!” O riso estourou na platéia.

Com André Brito e Tiago Vasconcelos