Cidades do RS alertam sobre falta de vacinas para aplicação da 2ª dose da CoronaVac


Recomendação é de que o imunizante seja aplicado 28 dias após a primeira aplicação. Secretaria Estadual da Saúde enviou um ofício ao Ministério da Saúde pedindo agilidade no abastecimento. Vacinação em Canoas
Prefeitura de Canoas
Pelo menos 340 cidades do Rio Grande do Sul estão alertando sobre a falta de vacinas para a aplicação da 2ª dose da CoronaVac, imunizante contra a Covid-19, fabricado pelo Instituto Butantan. O recomendado é de que o reforço seja feito 28 dias após a primeira aplicação.
Na sexta-feira (23), a Secretaria Estadual da Saúde (SES) e o Conselho das Secretarias Municipais da Saúde do Rio Grande do Sul enviaram um ofício ao Ministério da Saúde pedindo agilidade no abastecimento de vacinas da CoronaVac para cobrir as segundas doses de quem já recebeu a primeira aplicação.
Segundo a SES, 260 mil pessoas que receberam a primeira dose da CoronaVac a partir de 20 de março estão com a imunização atrasada.
Em nota, o Ministério da Saúde disse que a estratégia de vacinação é definida a cada nova distribuição semanal, e que depende dos laboratórios que fabricam a vacina. O Instituto Butantan, que fabrica a CoronaVac no Brasil, disse que já enviou 41 milhões de doses da vacina ao Ministério da Saúde, que é o responsável pelo planejamento da campanha e logística.
Região Metropolitana
A prefeitura de Porto Alegre informou que os últimos lotes vieram com um quantitativo menor que o esperado para a aplicação da segunda dose. A previsão é que o estoque atual se esgote no máximo até quarta-feira (28).
Conforme o município, houve uma sinalização do Ministério da Saúde de que as remessas seriam suficientes. Porém, isso não se concretizou. A expectativa da Vigilância em Saúde da Capital é que as próximas remessas corrijam esta distorção.
A Secretaria Municipal da Saúde disse, em nota, que “não há motivo para preocupação diante do possível esgotamento nos próximos dias das vacinas para segunda dose (Coronavac) contra Covid-19″. Segundo a pasta, a entrega semanal de remessas garante a reposição das doses.
Canoas, cidade da Região Metropolitana de Porto Alegre, suspendeu, nesta segunda (26), a aplicação da segunda dose. O município informou que, com o atraso na chegada de novos lotes de CoronaVac ao município, o estoque foi insuficiente para cobrir as segundas doses de quem já completou o intervalo recomendado de 28 dias.
O município disse que quem não conseguiu se vacinar, deverá aguardar a chegada de nova remessa do imunizante produzido pelo Instituto Butantan. A Secretaria Municipal da Saúde irá divulgar, por meio dos canais oficiais de comunicação da prefeitura, as novas datas para comparecimento aos locais de vacinação.
Prefeituras de outros municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre também estão preocupadas com a falta de vacinas. É o caso de Novo Hamburgo.
“Novo Hamburgo está passando por um problema bastante sério, não só Novo Hamburgo, mas os outros municípios também. Nós não estamos recebendo a CoronaVac e nós necessitamos dela para a segunda dose, inclusive, em Novo Hamburgo, nós temos segunda dose para somente o que foi agendado até terça-feira, foi necessário cessar com os drives de segunda dose devido a esse problema”, afirma a prefeita de Novo Hamburgo, Fátima Daudt.
O secretário de Saúde de São Leopoldo, Marcel Frison, disse que se o município não receber novas doses no início desta semana, na quarta-feira (28) deve parar de vacinar na cidade.
“É uma crise nacional, porque agora nós convencemos as pessoas da importância das pessoas tomarem a segunda dose, que é fundamental, essencial para o processo de imunização, porém o governo federal não conseguiu mandar as remessas relativas a essa segunda dose. Esse é o problema. Nós vamos ter um déficit de cerca de 8 mil, 8,5 mil doses na semana que vem”.
O problema se repete em Esteio.
“Mais uma dificuldade do Ministério da Saúde, de desestruturação, porque teve uma orientação clara de que nós não guardássemos as segundas doses, isso tem que ficar claro, não é uma responsabilidade dos municípios, esta por escrito que não se reserve as segundas doses. Então, para nós, é gravíssima essa situação de interrupção desse processo”, afirma a secretária de Saúde de Esteio, Ana Boll.
Novo lote de vacinas é insuficiente para aplicar todas as segundas doses em Canoas
Interior
Em Caxias do Sul, na serra gaúcha, a aplicação da segunda dose da CoronaVac em idosos com 66 anos ou mais precisou ser interrompida no sábado (24).
O atendimento foi em 41 Unidades Básicas de Saúde da cidade. Cerca de 400 pessoas receberam senhas e, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, serão priorizadas quando o município receber novas remessas da vacina.
Mesma situação se repete em Nova Petrópolis. A cidade espera receber uma remessa ainda nesta segunda. A partir daí, o município vai definir como fica o calendário.
Em Bento Gonçalves, a aplicação da segunda dose foi suspensa na sexta-feira (23) e ainda não tem previsão de retomada. Na terça-feira (27), a cidade começa a imunizar com a primeira dose pessoas com 60 anos ou mais.
Segundo a 10ª Coordenadoria Regional de Saúde, 11 cidades da Fronteira registram falta de vacina. Pouco mais de 1,5 mil pessoas aguardam a segunda dose na região.
Em Santa Maria, na Região Central, 8 mil pessoas estão na fila para o reforço da imunização contra o coronavírus.
Em Bagé, na Campanha, a vacinação foi suspensa, com 1,5 mil pessoas esperando a dose complementar da vacina. Já Caçapava do Sul tem 3 mil pessoas aguardando a segunda aplicação, mas apenas 610 doses disponíveis.
O infectologista Eduardo Sprinz afirma que é importante as pessoas tomarem as duas doses da vacina.
“A vacina, para ela funcionar como a gente vem dizendo que ela vai funcionar, é necessário ter a dose de reforço”.
Falta de vacinas interrompe aplicação de segunda dose em municípios da Serra do RS
Ministro da Saúde admite ‘dificuldade’ no fornecimento de vacinas
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, admitiu nesta segunda que há “dificuldade” no fornecimento de vacinas para aplicação da segunda dose da CoronaVac.
Queiroga deu a declaração ao participar de uma sessão da comissão do Senado que discute medidas de combate à doença.
Há cerca de um mês, em 21 de março, o Ministério da Saúde mudou a orientação e autorizou que todas as vacinas armazenadas pelos estados e municípios para garantir a segunda dose fossem utilizadas imediatamente como primeira dose.
VÍDEOS: Vacinas contra a Covid
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