Apesar da crise no setor aéreo, leilão de aeroportos, inclusive gaúchos, atrai grandes grupos nesta quarta

Mesmo em meio à maior crise do setor aeroportuário no mundo, a sexta rodada de concessão de aeroportos do governo federal, que será realizada nesta quarta-feira (7), deverá ter disputa nos três blocos da licitação. Entre os terminais do bloco Sul que serão leiloados estão os de Pelotas, Bagé e Uruguaiana.

Também haverá o arrendamento de cinco terminais portuários: quatro no Porto de Itaqui (IQI03, IQI11, IQI12 e IQI13), no Maranhão, e um no Porto de Pelotas (PEL01), no Rio Grande do Sul.

Devem apresentar ofertas por ao menos um dos três lotes tanto grandes grupos que já administram aeroportos no Brasil — caso de Aena, Vinci, CCR, Inframérica e Socicam — quanto interessados em entrar na área, como a gestora de fundos Pátria e a operadora francesa ADP.

O leilão será o maior do setor aeroportuário em número de ativos já realizado, são 22 aeroportos divididos em três blocos. Primeiro grande leilão de infraestrutura do governo federal neste ano, ele será um teste para avaliar o impacto que o agravamento da pandemia e as turbulências políticas do governo Jair Bolsonaro podem ter nas concessões previstas para 2021.

Segundo a advogada Letícia Queiroz, sócia do escritório Queiroz Maluf, o cenário político entra na conta dos investidores.

“O clima do País é desafiador do ponto de vista institucional, econômico e sanitário. O governo quer promover leilões para mostrar que o País não parou, mas o momento não é o mais propício.”

Para José Luis Menghini, que já presidiu a Inframérica e a Vinci no País, o governo faz bem em fazer o leilão agora.

“A recuperação de demanda vai demorar, mas postergar o leilão não resolveria. A pandemia será precificada de qualquer modo. Os ganhos de transferir os ativos à iniciativa privada agora são maiores do que o de manter o Estado gerenciando os ativos”, diz ele.

Investimento

Os aeroportos serão divididos em blocos Sul, Norte e Central. O Sul é formado por nove aeroportos, entre eles os terminais de Pelotas, Bagé e Uruguaiana. Sete compõem o bloco Norte, incluindo Manaus, Porto Velho, Boa Vista e Rio Branco.

E outros seis formam o bloco Central, entre eles Goiânia, Palmas, São Luís e Teresina. Em um único dia, o governo vai repassar à iniciativa privada a mesma quantidade de aeroportos (22) que foram licitados nos últimos anos, em que pese o fato de os terminais terem portes diferentes.

Com o impacto da pandemia no setor aéreo, o governo revisou para baixo, ainda no ano passado, as exigências de outorgas mínimas a serem pagas pelos vencedores (de R$ 609,7 milhões para R$ 189,9 milhões nos três blocos) e diminuiu de R$ 6,9 bilhões para R$ 6,1 bilhões os investimentos que devem ser realizados nos 30 anos de contrato.

A exigência de ter operadores aeroportuários dentro dos consórcios também foi eliminada para facilitar a entrada de fundos de investimento. Os consórcios, agora, podem contratar operadores por meio de acordos de suporte técnico.

No mercado, as modificações foram bem vistas, embora haja dúvidas quanto à factibilidade dos estudos.

“As projeções de demanda foram revisadas, mas é algo difícil de fazer. Mesmo quando a pandemia passar, não sabemos qual será o patamar de retomada”, diz Letícia.

A maior disputa deve estar concentrada no bloco Sul, considerado o mais atraente por reunir aeroportos com bons níveis de demanda, como Curitiba (PR), Foz do Iguaçu (PR) e Navegantes (SC). Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, o Pátria e os operadores ADP e CCR estão entre os que têm interesse.

“O ágio no bloco Sul tende a ser maior, é o lote com mais aspectos turísticos. O Central tem mais apelo regional, com aeroportos menores, e o Norte é mais vocacionado à carga, devido à Zona Franca de Manaus”, afirma Luís Felipe Valerim, sócio do escritório XVV, que diz assessorar interessados no certame.

O lote que tem Manaus é tido pelo secretário de aviação do Ministério da Infraestrutura, Ronei Glanzmann, como o mais desafiador:

“É um bloco que interessa mais a operadores logísticos, porque 55% da demanda de Manaus são de cargas. O bloco também demanda uma gestão inteligente dos aeroportos menores para garantir a sustentabilidade econômico-financeira da operação.”

O bloco Central é o que tem a menor exigência de investimentos e, segundo fontes da área, tem a Socicam e a Inframérica entre as interessadas. A primeira administra desde o ano passado quatro aeroportos no Mato Grosso.

Já a segunda tem a concessão do de Brasília e devolveu recentemente a do aeroporto de São Gonçalo do Amarante (RN). Ambos os operadores, portanto, teriam ganho de escala se fossem vencedoras do lote.