Prefeitos da Região Metropolitana de Porto Alegre pedem urgência ao governo do Estado para o início da vacinação contra o coronavírus

Durante reunião na manhã desta quarta-feira (6), o governador gaúcho Eduardo Leite discutiu com prefeitos do Consórcio dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (Granpal) aspectos do sistema de Distanciamento Controlado e outras ações de enfrentamento à pandemia. Na pauta, a pressa pelo início da vacinação contra o coronavírus.

O encontro foi realizado de forma híbrida, com alguns participantes interagindo através de videoconferência e outros presencialmente. Esse segundo grupo incluiu o novo chefe do Executivo da capital gaúcha, Sebastião Melo (MDB), e os secretários Arita Bergmann (Saúde), Agostinho Meirelles (Articulação e Apoio aos Municípios) e Luís Lamb (Inovação, Ciência e Tecnologia e coordenação do Comitê de Dados).

Convidados a se manifestar individualmente, os líderes locais reiteraram a urgência de um processo de imunização e também a necessidade de um “plano B” se o governo federal não fornecer no curto prazo as doses da vacina à população.

Leite, porém, voltou a dizer que confia na coordenação do processo pelo Ministério da Saúde, via Programa Nacional de Imunizações (PNI). “Não faz sentido que, em um País como o Brasil, com 45 anos de tradição em campanhas desse tipo, os municípios e os Estados partam para uma disputa, a exemplo do que foi visto na compra de respiradores artificiais”, opinou.

Aliás, a reunião transcorria no Palácio Piratini quando o governador recebeu uma mensagem do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, antecipando que a medida provisória que viabilizará a aquisição das vacinas pelo governo federal seria assinada ainda nesta quarta-feira, a fim de viabilizar o início da imunização até o fim do mês – ele repetiria a previsão à noite, em pronunciamento nacional.

Eduardo Leite destacou que o Executivo estadual não descarta a hipótese de adquirir doses, caso necessário: “Não fugiremos da responsabilidade. Se não houver definição nos próximos dias, passaremos a nos movimentar por aqui para fazer a compra de imunizantes que forem aprovados pela Anvisa. Mas é preciso ressaltar que os recursos serão retirados de outros investimentos, o que pode penalizar a população”.

Distanciamento

Eduardo Leite também explicou brevemente como funciona o cálculo dos indicadores que definem as bandeiras impostas às 21 regiões do modelo de Distanciamento Controlado. Em seguida, apresentou um panorama da situação epidemiológica no Estado, com detalhamento especial da evolução do coronavírus na Região Metropolitana.

Ele destacou, ainda, a responsabilidade dos chefes de Executivos municipais: “São vocês que estão na ponta e que entendem com detalhes o funcionamento de cada uma das cidades. Por isso, sempre tomamos todas as decisões com relação ao modelo de Distanciamento Controlado levando em consideração as opiniões dos prefeitos”.

Sebastião Melo, por sua vez, enfatizou o desejo de trabalhar em conjunto: “Queremos trabalhar de forma colegiada, em uma cogestão verdadeira, com participação na gestão desse processo. Todos os prefeitos do Rio Grande do Sul são importantes, mas a Região Metropolitana tem um peso. Ao sinalizarmos um alinhamento com o governo do Estado, daremos uma segurança enorme ao restante do Estado”.

Os prefeitos também abordaram a possibilidade da adoção de uma bandeira própria para a Região Metropolitana no distanciamento controlado e a necessidade de se ampliar o percentual de servidores públicos em trabalho presencial, norma definida em decreto. Ambos os temas serão levados ao Gabinete de Crise do Palácio Piratini nesta quinta-feira (7), véspera da divulgação do novo mapa do sistema.

(Marcello Campos)