'Clínica' no Japão se dedica a consertar bichos de pelúcia


Desde que abriu sua clínica em Tóquio, há dois anos, Natsumi Hakozaki conserta 100 pelúcias ao mês com outros cinco “doutores” em seu estabelecimento. Natsumi Hakozaki ‘cuida’ da ovelha de pelúcia de cliente
Philip Fong/AFP
Em uma clínica de Tóquio, uma mulher de jaleco branco observa cuidadosamente as particularidades de uma nova paciente: uma ovelha de pelúcia. O “centro médico” Natsumi se especializa na restauração desses brinquedos, aos quais seus donos são muito apegados.
Yui Kato, de 24 anos, trouxe sua ovelha Yuki chan, muito danificada depois de 18 anos de existência.
“Pensava que não tinha mais remédio para ela, estava tão desgastada. Vim aqui com a esperança de que possa recuperar a saúde”, explica a jovem à AFP.
A clínica oferece diversos serviços, com intervenções locais como “operações oculares” e transplantes de pelo em áreas pouco cobertas, até uma restauração completa.
Sua fundadora, Natsumi Hakozaki, teve a ideia de “tratar” exclusivamente bichos de pelúcia em 2016, depois de trabalhar em uma loja de conserto de roupas em sua cidade natal de Sendai (nordeste do Japão), onde percebeu que havia uma grande demanda neste campo.
“Os clientes veem suas pelúcias como familiares, ou amigos íntimos, não como objetos. Depois de seu conserto, muitos donos os abraçam, chorando”, confessa à AFP.
No caso da ovelha Yuki chan, Hakozaki começa dando-lhe um banho de espuma especial, depois de remover seu enchimento antigo. Tira uma foto de cada passo realizado e as imagens são publicadas no site da clínica, para que os donos das pelúcias possam acompanhar o processo de recuperação.
Tudo é feito para tratar os animais de pelúcia como se estivessem vivos.
“Parece que estava muito cansada. Por favor, relaxe e desfrute!”, comentou a clínica em uma foto on-line de Yuki chan, submersa em seu banho de espuma. Hakozaki preparou para ela um novo corpo de tecido e papel, assim como um enchimento de algodão novo.
O toque final é crucial: é preciso recolocar o “coração” do animal de pelúcia, composto por um tecido rosa e uma parte de seu antigo enchimento, para que conserve sua “alma” original, explica. Os clientes estão felizes.
Desde que abriu sua clínica em Tóquio, há dois anos, Hakozaki conserta 100 pelúcias ao mês com outros cinco “doutores” em seu estabelecimento. A lista de espera está completa por um ano. Os tratamentos custam entre 10.000 a 500.000 ienes (cerca de US$ 4.680), dependendo dos cuidados necessários.
O apego às pelúcias é universal, destaca Hakozaki, que já atendeu a pedidos procedentes de Hong Kong, Taiwan, França e Reino Unido.
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