Os caminhos de Biden e Trump para a vitória nos EUA

Com o avanço da apuração no Wisconsin, Joe Biden ampliou sua vantagem na disputa pela Presidência dos Estados Unidos. Para chegar à Casa Branca, o democrata precisa agora consolidar sua posição em Michigan e vencer em mais dois estados pelo menos – o que já parece bastante provável. Donald Trump, porém, ainda pode virar o jogo se for declarado ganhador na Geórgia, Pensilvânia, Carolina do Norte e Alaska e ‘roubar’ o Michigan de Biden.

Neste momento, a contagem em sete estados importantes permanece aberta: Michigan, Pensilvânia, Carolina do Norte, Geórgia, Arizona, Alaska e Nevada. Wisconsin, outro estado-chave para a corrida, liberou os resultados há pouco e deu a vitória para Biden por uma pequena margem.

Nos estados do Arizona, Nevada e Alaska há menos mistério. Se as pesquisas de opinião realizadas nas últimas semanas estiverem corretas, o candidato democrata deve levar a melhor nos dois primeiros. Já Trump deve consolidar seu favoritismo no Alaska.

A disputa se centra então nos quatro estados restantes. Até o momento, Joe Biden lidera em Michigan, com 0,9 pontos percentuais de vantagem, e pouco mais de 45.000 votos individuais. Sua liderança cresceu nas últimas horas, após a contagem de um novo lote de cédulas vindo do Condado de Wayne, em Detroit. Com esses novos votos, o democrata tem hoje mais votos totais do que Trump conseguiu por ali em 2016, quando foi declarado vencedor.

Para completar os 270 delegados necessários para vencer no Colégio Eleitoral e abrir seu caminho até a Casa Branca, Joe Biden precisaria então apenas ganhar no Michigan e confirmar sua vitória no Wisconsin. A comissão eleitoral do segundo estado confirmou há pouco a vitória do por aproximadamente 20.600 votos de vantagem.

Assim que a informação foi anunciada, porém, a campanha de Trump afirmou que irá pedir a recontagem de votos no Wisconsin. A lei local permite que os candidatos recorram a essa medida quando a diferença percentual entre os concorrentes é de menos de 1 ponto.

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O processo levaria alguns dias e pode atrasar em muito a divulgação final dos resultados. Uma recontagem também pode ser solicitada em outros estados em que a corrida está apertada, como no próprio Michigan. Trump ainda poderia recorrer em último caso à Suprema Corte e estender a situação até dezembro.

Já na Geórgia, que dá ao seu vencedor 16 delegados, ao menos 95% das urnas já foram abertas. Até o momento, Trump está na frente com 1,8 pontos percentuais. Esse montante, porém, significa 84.300 votos de diferença, que podem ser revertidos com a apuração dos votos restante na região de Atlanta, onde os democratas gozam de mais apoio.

O atual presidente também lidera na Pensilvânia, com 8,1 pontos percentuais e 464.000 votos válidos. O estado é um dos mais importantes do Colégio Eleitoral, pois dá a seu vencedor 20 delegados. A maioria das cédulas que restam ser contabilizadas por ali também são provenientes de áreas onde Biden pode ter mais vantagem, como Filadélfia e Pittsburgh.

Caso Trump consolide sua posição e leve os delegados da Pensilvânia e Geórgia, a situação de Joe Biden se torna menos confortável. Para se reeleger, o atual presidente precisaria então ganhar nas duas regiões e ainda abocanhar o Michigan.

Há ainda a possibilidade de Trump vencer no Arizona. A agência de notícias Associated Press, a emissora Fox News e outros meios de comunicação já dão como certa a vitória do democrata por ali. Mas ainda há cédulas atrasadas e, conhecendo a natureza inesperada das apurações americanas, não é possível descartar o triunfo republicano.

Neste caso, Biden precisaria necessariamente de uma vitória na Geórgia ou na Pensilvânia. Já Trump poderia dispensar o sucesso no Michigan, mas ainda precisaria da Pensilvânia, Geórgia, Carolina do Norte e Alaska. O magnata poderia ainda trocar a Pensilvânia pelo sucesso no Michigan e no Arizona e se manter como o grande vencedor.

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