Governo decide manter ligadas usinas térmicas, mais caras, para preservar hidrelétricas do Sul

Comitê que monitora setor elétrico espera melhora nas chuvas do Sudeste e do Centro-Oeste, onde reservatórios atingiram 23,73% em outubro. Hidrelétricas do Sul operam em 24%. O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) informou nesta quarta-feira (4) que permanecerá com o acionamento de usinas termelétricas, mais caras, para preservar os reservatórios das usinas hidrelétricas. A maior preocupação do governo, desde outubro, tem relação com o nível dos reservatórios da região Sul.
Em nota, o CMSE informou que, para os próximos dias, as previsões indicam chuvas no subsistema Sudeste/Centro-Oeste, mas o tempo seco segue na região Sul.
Apesar do acionamento das térmicas, que reduz a pressão sobre as hidrelétricas, os reservatórios da região continuaram caindo ao longo de outubro. Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) indicam que os reservatórios das hidrelétricas estavam em 40% no dia 1 de outubro e chegaram a 24,09% no fim do mês.
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Já os reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste – que concentra as hidrelétricas mais importantes do país – passaram de 32,49% em 1º de outubro para 23,73% no fim do mês.
Apesar da queda, os níveis ficaram acima do projetado na última reunião do CMSE, que esperava que os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste fechassem o mês em 23,2% e os do Sul em 19,8%.
Para o fim de novembro, a previsão do CMSE é de que os reservatórios cheguem a:
20,0% no Sudeste/Centro Oeste;
11,5% no Sul;
45,5% no Nordeste ;
26,8% no Norte.
“Foi destacada a importância da medida, especialmente diante do cenário de poucas chuvas verificado no mês de outubro, tendo assim contribuído para a menor degradação dos armazenamentos dos reservatórios equivalentes das usinas hidrelétricas do Sul e Sudeste e manutenção da governabilidade das cascatas”, informou o comitê em nota.
Falta de gás nas térmicas
Depois que o CMSE decidiu acionar as termelétricas mais caras na reunião de outubro, parte das usinas não conseguiu atender ao comando.
A causa do problema, apontou uma investigação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), foi a falta de gás para abastecer as térmicas.
O combustível é fornecido pela Petrobras. A empresa esteve na reunião do CMSE desta quarta-feira e apresentou ao governo as medidas adotadas para aumentar a disponibilidade de combustível para o atendimento da geração termelétrica. Essas medidas não foram detalhadas pelo conselho.